
O empresário Carlos Valter Martins tomou posse na última segunda-feira, na presidência da Fiep e defendeu o fomento das indústrias no interior do Paraná. “Precisamos fomentar que, cada vez mais, as diferentes regiões tenham apoio tecnológico e de formação profissional para que suas indústrias consigam evoluir, agregar mais tecnologia e produtividade”, disse Martins nesta entrevista exclusiva a ADI.
“Aprimorar a nossa infraestrutura é um dos caminhos para reduzir custos e aumentar a competitividade da indústria paranaense. Existem melhorias que precisam ser feitas em todos os modais de transporte”, defende o novo presidente da Fiep sobre os investimentos necessários em infraestrutura no Estado.
Tivemos, nessa eleição, a presença de 100% dos sindicatos da indústria habilitados a votar. Essa participação expressiva mostra a importância que Fiep, Sesi, Senai e IEL têm para a indústria do Paraná. A partir de agora, é preciso ficar claro que o Sistema Fiep existe em função da indústria de todo o Paraná. E toda a indústria do Paraná tem que ser beneficiada pelos serviços prestados pela casa. Agregando valor a esses serviços, para o bem da indústria, vamos conseguir a união de todos.
Pretendemos valorizar a indústria do Paraná como um todo. A região metropolitana de Curitiba ainda prepondera porque concentra a maioria das indústrias, mas existem importantes polos industriais em todas as regiões do estado. Precisamos fomentar que, cada vez mais, as diferentes regiões tenham apoio tecnológico e de formação profissional para que suas indústrias consigam evoluir, agregar mais tecnologia e produtividade. Assim, teremos cada vez mais produtos importantes e a evolução da indústria regional. O Sistema Fiep tem condições de prestar esse apoio e é o que vamos fazer.
Precisamos recuperar nossa condição competitiva. Com essas reformas, como a da Previdência, e esperamos também a Tributária e até a Política, podemos dar um passo à frente no Brasil. Temos uma situação de déficit fiscal que não pode persistir, e a Previdência é um dos componentes principais. Precisamos combater isso para que consigamos ter uma retomada do crescimento econômico. Somos a quinta população do mundo, temos um grande mercado, e precisamos fazer com que esse mercado seja potencializador para a evolução da indústria, gerando empregos, renda e riquezas para toda a sociedade.
Sem dúvida alguma, aprimorar a nossa infraestrutura é um dos caminhos para reduzir custos e aumentar a competitividade da indústria paranaense. Existem melhorias que precisam ser feitas em todos os modais de transporte. As soluções para esses gargalos passam por uma união de esforços entre poder público e iniciativa privada, dependendo de planejamento e investimentos. Vamos atuar em parceria com as demais entidades representativas do setor produtivo do Paraná, articulando junto às diferentes esferas governamentais para buscar a viabilização dessas obras necessárias.
De fato, tenho 38 anos como industrial e nunca vi uma crise tão perniciosa e tão duradoura como esta. E ela provocou feridas profundas no meio produtivo do país. Esses anos de crise tiraram muito da capacidade do investimento na tecnologia e na evolução da qualificação, em função de custos de um mercado recessivo. Agora é hora de retomar isso e a nossa casa existe para prestar esse apoio. A indústria do Paraná e do Brasil como um todo precisa de evolução tecnológica, aumentar a produtividade para buscar competitividade. Com a representação da Fiep e, principalmente, com os serviços que temos dentro do Sistema Fiep, tanto o Senai na questão da qualificação profissional e no apoio tecnológico, quando no Sesi em relação à saúde e segurança do trabalhador, e o IEL, estamos prontos para auxiliar nessa retomada.
Realmente, o Paraná e o Brasil têm um grande desafio pela frente no que se refere à qualificação técnica para que especialmente a indústria aumente sua competitividade e produtividade por meio da tecnologia. Porém, é importante olhar essa questão não pelo viés da ameaça, mas das oportunidades trazidas por essa nova realidade.
“Somos a quinta população do mundo, temos um grande mercado, e precisamos fazer com que esse mercado seja potencializador para a evolução da indústria, gerando empregos, renda e riquezas para toda a sociedade”.
A indústria como um todo é um excelente lugar para o desenvolvimento de carreiras. Hoje, os avanços tecnológicos e a normatização que existe sobre a indústria a tornaram muito atrativa para quem quer ingressar em uma carreira mais técnica. Nesse processo, o Sistema Fiep, por meio do Senai, possui uma ampla estrutura e conhecimento para capacitar trabalhadores dos mais diversos setores, já levando em conta as últimas tendências que têm sido aplicadas na indústria. Queremos agregar cada vez mais valor a essa formação, preparando os profissionais que a indústria vai demandar quando houver uma retomada efetiva dos investimentos e da produção.
O Sistema Fiep, por meio do Sesi, tem sido, desde 2004, um dos principais articuladores para a mobilização da sociedade paranaense em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entendemos que o desenvolvimento de uma indústria forte e responsável, capaz de gerar empregos de qualidade, renda e riquezas, pode contribuir para o alcance de diversas das metas estabelecidas pela ONU, mas esse é um esforço que deve envolver todos os setores da sociedade. Em relação à questão ambiental, especificamente, não vejo que exista uma agenda contrária.
“A indústria do Paraná e do Brasil como um todo precisa de evolução tecnológica, aumentar a produtividade para buscar competitividade”.
O meio ambiente deve ser preservado e a indústria cada vez mais desenvolve soluções e tecnologias para aplicar práticas sustentáveis a seus processos produtivos. O que ocorre é que, no Brasil, criou-se uma burocracia excessiva especialmente para licenciamentos ambientais, que acaba retardando e elevando custo
s para investimentos produtivos, muitas vezes até inviabilizando alguns deles. Entendo que o que o atual governo busca é uma simplificação e maior eficiência nos processos de licenciamento, e isso não significa deixar de lado a necessária preocupação com o desenvolvimento sustentável.
O modelo de pedágio adotado no Anel de Integração sofreu inúmeras distorções e ingerências ao longo dos anos e, como mostram os acordos de leniência, oneraram os usuários da rodovia além do que seria justo. Por isso, tornou-se mais um entre tantos fatores que aumentam os custos para o setor produtivo paranaense.
“O pedágio sofreu inúmeras distorções e ingerências ao longo dos anos e, como mostram os acordos de leniência, oneraram os usuários da rodovia além do que seria justo”.
As recentes reduções nas tarifas provam que é possível encontrar um modelo mais coerente, que leve em conta as necessidades dos usuários, com valores mais baixos de pedágio e a realização das obras necessárias. A Fiep sempre esteve atenta a essa questão e, em conjunto com as demais entidades do setor produtivo, busca contribuir no que está ao seu alcance para a construção desse novo modelo.
Carlos Valter Martins nasceu em Maringá, começou sua jornada como industrial há mais de 30 anos, como sócio administrador e fundador da ZM Bombas, especializada na produção de bombas hidráulicas, hidrolavadoras de pressão e sistemas eólicos para bombeamento e energia. A empresa atua em todo o mercado nacional, América do Sul e Central e África do Sul.
O industrial também é presidente do Sindimetal Maringá, do qual foi fundador, e foi conselheiro de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Foi presidente do Conselho Regional do Senai no Paraná e é vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim). Preside a Fundação Tecnópolis de Maringá e o Conselho Gestor da Incubadora Tecnológica de Maringá. Além disso, foi presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), integra o Conselho Temático do Setor Metalmecânico do Paraná (G19) e é diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).