Fiscal da Adapar fala sobre o uso correto de herbicidas em Wenceslau Braz

Fiscal da Adapar fala sobre o uso correto de herbicidas em Wenceslau Braz

Por:
01/06/2017 às 09h42 Atualizada em 01/06/2017 às 12h42

Na última segunda-feira (29), foi realizada durante a sessão na Câmara de Vereadores mais um debate sobre o projeto de lei que visa novas regulamentações e sanções para o uso e aplicação do herbicida 2,4-D. Este foi o principal assunto em pauta.

Continua após a publicidade

Os vereadores tiveram a oportunidade de assistir uma palestra ministrada pelo fiscal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), Aislan Lucas de Oliveira Macedo. A possibilidade de poder observar o ponto de vista técnico de um profissional da área antes de votar o projeto, foi aplaudida pelos vereadores.

“Isto que vemos aqui hoje é um ato democrático. Isso é democracia, buscar o conhecimento técnico a fim de se decidir pelo bem não só de um lado, mas pela coletividade”, enalteceu a vereadora Margareth Ferreira (PSD).

O tema principal do debate foi a deriva dos agrotóxicos. “Deriva é todo aquele resíduo do agrotóxico que não atinge seu alvo, ou seja, que se dispersa pelo solo, água ou pelo ar”, explicou Aislan.

Continua após a publicidade

Segundo ele, essa ação pode ocorrer por diversos fatores, sendo os principais a má utilização do agrotóxico e manuseio dos equipamentos. “Os principais problemas ocorrem quando não há acompanhamento técnico e receituário agronômico. Não basta uma pessoa sair aplicando o agrotóxico, têm que se realizar análises sobre as quantidades necessárias, condições do clima, equipamentos utilizados para aplicação e etc.”, pontua.

Caso essas providências não sejam tomadas, os resultados da deriva podem impactar diretamente ao solo, plantas, água, alimentos e pessoas que tenham contato direto com o agrotóxico ou que residam perto do local de aplicação. “O cuidado e acompanhamento são essenciais, pois a deriva pode ocorrer desde a aplicação manual com bomba costal até o uso de avião, só vai mudar suas proporções”, relata o fiscal.

Após a apresentação, Aislan respondeu a algumas dúvidas dos vereadores e esclareceu sobre o assunto. A primeira votação deve ser realizada na próxima segunda-feira (5). Nesta semana, deverão ser encaminhadas por escrito as emendas propostas pelos vereadores.

Continua após a publicidade

Aislan concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Folha Extra para esclarecer mais sobre o uso de agrotóxicos para os leitores. Confira abaixo:

Folha Extra - Através do acompanhamento se torna mais fácil verificar a deriva?

Aislan Lucas de Oliveira Macedo - “O técnico agrônomo, quando acompanha uma produção, sabe o histórico da área e tem um domínio do que está acontecendo. Desta maneira, é mais fácil para ele identificar, através do laudo, se os problemas com determinada cultura foram causados pela deriva ou por outros fatores”.

F.E - Se comprovado através dos laudos e realizado o B.O, será possível algum processo de indenização?

A.L.O.M - “Cabe a ADAPAR aplicar sanções administrativas como advertência ou multa pelo uso indevido do agrotóxico. Já a questão indenizatória, vai depender da interpretação do juiz e da promotoria em um processo judicial na vara responsável”.

F.E- Os responsáveis pela deriva e contaminação recebem algum monitoramento para uso de agrotóxicos no futuro?

A.L.O.M - “Todos os produtores do Estado têm o cadastro do receituário agronômico na ADAPAR e Conselho Regional de Agronomia (CREA). Quando é cometida uma infração por uso de agrotóxico ele recebe uma advertência e, em caso de reincidência, é aplicada uma multa. A penalidade aumenta se acontecer novamente”.

Na próxima sexta-feira (2), será realizada uma palestra com o tema “Soja, uso consciente do 2,4-D” às 08h00 na Associação do Banco do Brasil. O objetivo é promover acesso à informação e conscientização dos produtores sobre o uso do agrotóxico.