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Sistema FAEP rechaça aprovação da PEC do fim da escala 6×1 pela Câmara

Proposta apresenta riscos ao setor agropecuário, como aumento de custos de produção e falta de mão de obra

Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO COM SENAR
28/05/2026 às 13h50
Sistema FAEP rechaça aprovação da PEC do fim da escala 6×1 pela Câmara
Se promulgada, a proposta custará R$ 4,1 bilhões ao agronegócio paranaense, segundo estudo do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP. Foto: Senar

DA REDAÇÃO/SENAR - FOLHA EXTRA

O Sistema FAEP repudia a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que prevê o fim da escala 6×1 e a limitação da jornada de trabalho a 40 horas semanais. Após aprovação nesta quarta-feira (27), o texto segue para o Senado.

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Se promulgada, a proposta custará R$ 4,1 bilhões ao agronegócio paranaense, segundo estudo do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP. O valor é referente aos salários e encargos obrigatórios para cobrir o vácuo operacional do setor. O dano não será restrito aos produtores, mas afetará toda a cadeia, chegando até o consumidor final.

“A aprovação da mudança de jornada de trabalho sem envolver as entidades dos setores produtivos é um erro, pois não considera as peculiaridades de cada atividade. Desta forma como está sendo discutida, a proposta vai comprometer a eficiência do agro, terá efeitos negativos imediatos e será desastrosa para a sociedade”, avalia o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “O aumento do custo de produção para os produtores rurais tende a ser repassado ao longo de toda a distribuição, o que vai resultar em inflação dos alimentos para a população”, afirma.

Dependentes do clima e de seu próprio cronograma, as atividades agrícolas exigem, em determinados períodos, trabalho constante para garantir a safra. A redução da jornada significa, nesse caso, que o produtor terá que pagar volumes massivos de horas extras ou contratar mais trabalhadores.

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“Os produtores não terão recursos para arcar com esse aumento de custos. Dados recentes indicam que há um endividamento rural de R$ 10,8 bilhões no Paraná. Na prática, veremos uma queda vertiginosa na produtividade do setor”, observa Meneguette.

Outra implicação do projeto será a falta de mão de obra no campo. O agro paranaense já enfrenta dificuldades crônicas para preencher vagas. Com a aprovação da PEC, haverá uma demanda súbita por milhares de novos postos de trabalho (107 mil novas contratações no Paraná, segundo levantamento do Sistema FAEP), o que pode provocar um colapso operacional.

“A desaceleração do agro brasileiro nos coloca em desvantagem no mercado externo. A redução da produção rural significa menos competitividade em relação a outros países, menos exportações e, portanto, um encolhimento do PIB [Produto Interno Bruto]”, declara o presidente do Sistema FAEP.

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Além disso, o texto aprovado prevê um período de transição de apenas 14 meses até a adoção completa das normas, tempo considerado insuficiente pelo Sistema FAEP.

“Mudar as regras do jogo sem considerar a realidade do campo é sufocar quem alimenta o país. Sem tempo hábil de transição e sem margem financeira, a conta dessa proposta vai chegar à mesa de todos os brasileiros”, conclui Meneguette.