Publicidade

ENTREVISTA: ‘Greve é página virada’, diz Richa

ENTREVISTA: ‘Greve é página virada’, diz Richa

Por:
11/03/2015 às 11h25 Atualizada em 11/03/2015 às 14h25

[caption id="attachment_5039" align="aligncenter" width="600"]ENTREVISTA BETO RICHA Richa fala sobre momentos turbulentos da sua gestão[/caption]

Continua após a publicidade

Em quatro entrevistas para rádios e TV’s nos últimos dois dias, o governador Beto Richa (PDSB) diz que a greve dos professores estaduais “é uma página virada”, mas lamentou o que classificou de “interferência político-partidária” na paralisação que durou 29 dias e deixou um milhão de estudantes sem aulas.

Governador, o país vive uma turbulência e está assustado. A própria presidente foi fazer um discurso no Dia Internacional da Mulher e recebeu um panelaço. O que o senhor atribui este momento da política brasileira?

Continua após a publicidade

Beto Richa - É inquestionável o que acontece hoje no país: uma crise política, econômica e moral, que traz recessão e estagnação. Uma queda brutal das receitas dos estados e municípios e, hoje, todos os estados estão fazendo um reajuste fiscal. Nós possivelmente somos os primeiros a apresentar a necessidade de um conjunto de medidas para ajustar a nossa economia e, por essa razão, alguns quiseram dar a impressão de que problema é só no Paraná. Mas o problema é conjuntural, em função deste grave cenário que atravessa o nosso país. O enfrentamento da crise é para que possamos preservar a nossa economia e garantir, acima de tudo, a capacidade de investimentos do estado, para que a população seja preservada com os serviços públicos de maior qualidade e obras em todo o estado.

Há a sensação de que houve um aproveitamento político da greve dos professores?

Continua após a publicidade

Beto Richa – A greve é uma página virada, mas não tenho a menor dúvida que houve uma conotação política nesta greve. Os professores foram usados por um sindicato, que é comandado pelo PT. O motivo da greve foi marcado a pretexto de pagarmos o de terço de férias que estava atrasado, nunca o salário – o salário e 13° estavam em dia -, e também a rescisão de alguns professores temporários. Já está paga a rescisão e estamos pagando neste mês o terço de férias.

É importante dizer para estabelecer a verdade, fazer justiça. Nós concedemos em quatro anos, 60% de aumento salarial aos professores.

Como o senhor avalia a participação dos seus adversários, derrotados na última eleição, nessa greve?

Continua após a publicidade

Beto Richa – Foi uma afronta. Um deles, o ex-governador (Roberto)  Requião entrou na Justiça contra o piso nacional dos professores, à época de pouco mais de R$ 900. Hoje nós pagamos acima do piso nacional. O Requião entrou na Justiça contra a hora-atividade. Eu concedi 75% de aumento na hora atividade. O ex-governador vetou a lei que reconhecia o curso da Vizivale. Trinta mil professores angustiados, aguardando há 10 anos o reconhecimento deste curso. Em seis meses nós atendemos e conseguimos articular com o MEC o reconhecimento deste curso pra 30 mil professores. Esse o perfil dos políticos que se somaram à greve.

Houve muita propagação de mentiras na greve?

Beto Richa – Muitas mentiras. Uma das mentiras que se espalhou na greve e que nós iríamos meter a mão - foi o termo que usaram - na previdência dos servidores. Teve ate deputado de oposição, que disse que os R$ 8 bilhões seriam para cobrir furos do governo. Mentira maldosa e irresponsável dos meus adversários, pois no corpo do projeto da lei, apresentado na Assembleia Legislativa, foi apresentado para que não apresentassem dúvidas, tinha um parágrafo único, exclusivo, que dizia, "os recursos do fundo do Paraná Previdência, são exclusivos para pagamento de beneficio de inativos, aposentados e pensionistas”.

No início da greve dos professores nós notamos que outras categorias somavam, e foi aumentando e a coisa ficava com uma proporção assustadora.

Continua após a publicidade

Beto Richa- Primeiro deixo claro, eu respeito as reivindicações de todas as categorias do funcionalismo. O que não podemos permitir são arruaças, depredações de patrimônio público como houve naquelas manifestações de junho de 2013.

Os professores são ordeiros. O problema é que eles foram inflamados por ações político-partidárias, com outros interesses que não os legítimos avanços da categoria dos professores, que nunca deixamos de atender.

Houve, sim, a presença articulada do PT, para embaralhar a situação que eles passam, de crise, petrolão, mensalão, tudo vindo à tona.  A ideia era esticar esta greve para chegar o mais perto do dia 15 de março, embaralhar para confundir o público. Tanto é que sindicatos, comandados pelo PT, marcaram uma manifestação para sexta-feira, dia 13. O mesmo sindicato que foi a rua há um ano e meio atrás para defender os mensaleiros de PT que estavam presos.

 

É lamentável este tipo de comportamento e eu dou meu exemplo para dizer que sou contra perseguições político-partidárias

O senhor acredita que discriminação do governo federal com o Paraná vai acabar.

Continua após a publicidade

Beto Richa - É lamentável este tipo de comportamento e eu dou meu exemplo para dizer que sou contra perseguições político-partidárias. Quando isso aconteceu no passado, no governo da truculência, não se atendia prefeitos que não fossem aliados políticos, não se mandava recursos aos municípios.

Comigo foi diferente, eu visitei todos os 399 municípios e em todos teve um investimento em obras do governo do Estado. Não posso, lamentavelmente, dizer o mesmo da relação do governo federal com o Paraná. Não foi minha culpa. Eu sou do diálogo e tenho entendimento que se passou a eleição é um momento do embate de ideias, discussão de propostas. Nós devemos descer do palanque e cada qual cumprir com suas obrigações. Nós não fomos eleitos para um ficar brigando com o outro. Nós fomos eleitos pra trabalhar e defender os interesses da população, não apenas dos que nos elegeram, mas de todos os cidadãos do nosso estado. Eu recebi um forte bloqueio de recursos. O Paraná é o quinto maior contribuinte da União e o último ou antepenúltimo a receber repasses federais. Mas espero que agora isso mude com o novo ocupante da Casa Civil. Antes tinha lá uma paranaense, que era minha adversária na disputa do governo e que foi responsável pelo bloqueio de recursos ao estado do Paraná.

DAS AGÊNCIAS