Um cenário político pitoresco, com alguns ingredientes dignos
de tramas televisivas. O processo eleitoral em Jaguariaíva fica cada vez mais interessante aos olhos de quem está de fora, ao mesmo tempo que fica ainda mais intenso que o comum para os participantes.
A princípio seriam três candidatos à chefia do Poder Executivo: o atual prefeito e candidato a reeleição, Juca Sloboda (PHS), o ex-prefeito Ademar de Barros (PSDB) e Renata Baroni (SD), filha do ex-prefeito Otélio Renato Baroni.
Seriam, e por hora até são, mas podem não ser em breve. Isso porque Ademar de Barros tem uma restrição legal que lhe tirou os direitos políticos por três anos a partir de 2013, portanto, ainda em validade.
Essa situação levou o PSDB estadual a rejeitar a candidatura do ex-prefeito. Um ofício assinado pelo presidente do partido no Paraná, o deputado Ademar Traiano, que também é presidente da Assembleia Legislativa, “cancelou” a candidatura do Ademar de Barros, ordenando ainda que a sigla passasse a compor a coligação de Juca Sloboda.
Como imaginado, o caso foi parar na justiça e terá suas definições nos próximos dias. Entretanto, por estar com os direitos políticos cassados e ter rejeição oficial do próprio partido, a candidatura de Ademar de Barros está seriamente ameaçada.
O imbróglio, porém, não para por aí. Pelo fato do PSDB “estar” em duas coligações distintas, a justiça do município cancelou o horário eleitoral gratuito na rádio, uma vez que a coligação de Juca pediu o tempo que é de direito do partido para si, embasados pela decisão do diretório estadual dos tucanos. Como Ademar insiste na candidatura, o tempo de rádio se tornou um grande dilema – e, como foi dito, acabou cancelado.
Mas os fatores que fazem da eleição em Jaguariaíva algo ímpar continuam. Juca Sloboda foi eleito em 2012 como vice do então prefeito reeleito Baroni, ao vencerem justamente Ademar de Barros. Com a morte do titular em 2013, o vice assumiu e vem gerindo o município desde então.
Homem de confiança do ex-prefeito e de todo seu grupo, Juca tem como vice agora ninguém mais, ninguém menos que a esposa de Baroni e secretária municipal licenciada da Educação, Alcione Lemos (PP).
A candidatura, contudo, não tem a simpatia de todo o clã Baroni, uma vez que uma das filhas do ex-prefeito, Renata Baroni, de forma até surpreendente para alguns, também é postulante ao cargo político máximo no município.
O detalhe é que tanto Alcione quanto Renata, embora isso tenha uma probabilidade pequena de acontecer, podem ser impedidas de disputar as eleições. Por se tratarem de parentes de primeiro grau do prefeito reeleito nos últimos dois mandatos, suas candidaturas poderiam configurar tentativa de propagação no poder, uma vez que um prefeito reeleito não pode ser sucedido por familiares. Entretanto (e haja conjunções adversativas), como Baroni não cumpriu nem metade do seu segundo mandato, a perspectiva de Alcione e Renta são das melhores. Em casos semelhantes a este a justiça tem decidido a favor da manutenção das candidaturas dos familiares que sucedem políticos que faleceram durante o mandato, negando pedidos de impugnação.
E assim, Ademar de Barros, que disputou a prefeitura de Jaguariaíva com Baroni em três oportunidades (uma vitória de Ademar e duas de Baroni) pode agora enfrentar, em chapas distintas, a filha e a mulher do antigo adversário. Isso, lógico, se Ademar conseguir ser candidato. E se as candidaturas de Alcione e Renata não acabarem impugnadas. Pelo jeito até 2 de outubro serão vários os capítulos dessa novela repleta de possibilidades.
LUCAS ALEIXO
Jaguariaíva