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Chuvas intensas ameaçam lavouras e preocupam produtores do Norte Pioneiro

Após alguns dias de trégua, temporais voltaram a atingir a região nesta terça-feira (13); excesso de umidade dificulta o plantio da safra de verão e coloca produtores em alerta para possíveis perdas

Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO - DAVI MARTINS
13/10/2026 às 15h24
Chuvas intensas ameaçam lavouras e preocupam produtores do Norte Pioneiro
Foto: IA - Folha Extra

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

Após alguns dias de trégua, as chuvas intensas voltaram a atingir o Norte Pioneiro do Paraná nesta terça-feira (13), aumentando a preocupação dos produtores rurais com os impactos do excesso de umidade nas lavouras. O retorno dos temporais ocorre em um período decisivo para a agricultura, marcado pelo plantio da safra de verão e pela colheita de culturas de inverno, atividades que dependem de condições favoráveis do solo e do tempo.

A intensidade da chuva foi registrada pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Em Cambará, por exemplo, o acumulado chegou a 46 milímetros antes das 08h30 desta terça-feira. Durante a madrugada, o município também registrou rajadas de vento de 65,2 km/h, demonstrando a força da instabilidade que atingiu a região.

O cenário preocupa porque outubro já apresenta volumes expressivos de precipitação em diferentes regiões do estado. Segundo o Simepar, 16 estações meteorológicas paranaenses ultrapassaram, nos primeiros 12 dias do mês, a média histórica de chuva prevista para outubro inteiro. Embora esse levantamento não represente diretamente todos os municípios do Norte Pioneiro, demonstra a intensidade do período chuvoso.

O excesso de chuva coincide com uma das etapas mais importantes do calendário agrícola. Produtores que trabalham com soja, milho e feijão precisam aproveitar os intervalos de tempo firme para preparar o solo, realizar a semeadura e executar os demais serviços necessários ao desenvolvimento das culturas.

Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), referentes a 5 de outubro, mostram que o Paraná havia concluído 36% do plantio da soja, 80% do milho de primeira safra e 52% do feijão. A instabilidade climática já vinha dificultando o avanço das operações em diferentes regiões produtoras.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também alertou que o excesso de água pode impedir a circulação de máquinas agrícolas, atrasar a semeadura e provocar problemas em áreas recém-plantadas. Entre os riscos estão o deslocamento de sementes pelas enxurradas e o encharcamento do solo, especialmente em propriedades com drenagem deficiente.

Apesar das dificuldades, os números estaduais não indicavam perdas generalizadas nas lavouras de verão. No levantamento da semana passada, 99% das áreas de soja avaliadas apresentavam boas condições, assim como 93% das lavouras de milho e 91% das áreas de feijão.

Enquanto a safra de verão enfrenta dificuldades operacionais, o trigo apresenta problemas mais imediatos. Até 5 de outubro, aproximadamente 70% da área estadual havia sido colhida. Das lavouras restantes avaliadas, 60% estavam em boas condições, 34% em situação intermediária e 6% em condições ruins.

A permanência dos grãos no campo durante períodos prolongados de chuva pode comprometer a qualidade comercial da produção. O Inmet alerta para a possibilidade de germinação dos grãos ainda nas espigas e maior incidência de doenças fúngicas, como giberela e brusone.

Além dos efeitos diretos sobre as plantas, o solo encharcado dificulta a entrada de colheitadeiras, prolongando a exposição das lavouras às condições desfavoráveis. Eventuais perdas de qualidade podem reduzir o valor recebido pelos agricultores, mesmo quando parte da produção consegue ser colhida.

Para o Norte Pioneiro, a continuidade das precipitações representa um desafio adicional. O Simepar prevê instabilidades até quarta-feira (14), com maior intensidade na metade norte do Paraná, especialmente nos municípios próximos à divisa com São Paulo.

A previsão indica redução gradual das chuvas entre quinta-feira (15) e sexta-feira (16), embora ainda exista possibilidade de temporais localizados.

Apesar do alerta, ainda não há um levantamento regional consolidado que permita quantificar prejuízos provocados especificamente pelas chuvas desta terça-feira nas plantações do Norte Pioneiro.

O impacto definitivo dependerá da duração das instabilidades, da capacidade de drenagem dos solos e das condições encontradas pelos produtores quando conseguirem retomar os trabalhos. Até lá, a atenção permanece voltada ao céu e às oportunidades de tempo firme para manter o calendário agrícola.