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El Niño reacende temor de enchentes 16 anos após Rio das Cinzas devastar Tomazina

Fenômeno começa a mudar o clima brasileiro a partir desta quinta-feira (16) e promete ser um dos mais fortes já registrados; tragédia de 2010 aconteceu durante outro El Niño forte

Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
16/07/2026 às 17h19
El Niño reacende temor de enchentes 16 anos após Rio das Cinzas devastar Tomazina
Diversas casas e comércios foram inundadas em Tomazina em 2010. Foto: Everson Bressan/AEN

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

TOMAZINA - Janeiro de 2010. As águas avançavam sobre cidades do Norte Pioneiro, destruíam casas, derrubavam pontes e deixavam centenas de famílias fora de seus lares. Em Tomazina, o Rio das Cinzas transbordava e provocava a maior catástrofe natural da história do município. Dezesseis anos depois, em julho de 2026, o Paraná volta a entrar em alerta diante de um novo El Niño, que pode ficar entre os mais intensos já registrados e começa a alterar de forma mais evidente o clima brasileiro a partir desta quinta-feira (16).

Dezesseis anos separam o hoje com o episódio mais marcante de Tomazina, mas o cenário atual faz as lembranças daquela tragédia voltarem à tona e reforça a preocupação com os impactos das chuvas intensas no Estado. Embora ainda não seja possível prever onde ou quando poderão ocorrer eventos extremos, o avanço do fenômeno chama a atenção para cidades com histórico de inundações, como Tomazina, onde as marcas deixadas pela força das águas permanecem vivas na memória da população.

O dia em que o Rio das Cinzas devastou Tomazina

29 de janeiro de 2010. Esse foi o dia em que a maior catástrofe natural da história de Tomazina marcou definitivamente o município. Naquele período, o Brasil ainda estava sob influência do El Niño de 2009/2010. Dados históricos da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mostram que o fenômeno permanecia forte no trimestre formado por dezembro, janeiro e fevereiro, quando o aquecimento do Oceano Pacífico apresentou anomalia de 1,5°C.

Dois dias depois, a destruição provocada pela enchente já colocava Tomazina no centro do noticiário regional e estadual. A tragédia ganhou espaço em grandes veículos de imprensa, que acompanhavam a dimensão dos estragos e os desafios enfrentados pelas famílias atingidas.

Os primeiros levantamentos divulgados após a enchente apontaram que o Rio das Cinzas havia subido cerca de dez metros. Aproximadamente 200 famílias foram afetadas e ao menos 40 residências, além de estabelecimentos comerciais, foram invadidas pelas águas.

A força da correnteza destruiu pontes, danificou estradas e deixou comunidades isoladas. A inundação também interrompeu o abastecimento de água tratada e comprometeu o deslocamento dos moradores.

Diante da extensão dos prejuízos, Tomazina decretou estado de calamidade pública. A cidade ainda enfrentaria meses de dificuldades até conseguir recuperar parte da infraestrutura destruída pela enchente.

El Niño de 2026 chegou e pode ficar entre os mais fortes já registrados

Dezesseis anos após a tragédia, um novo El Niño volta a colocar o Paraná em alerta. Embora tenha sido confirmado oficialmente em junho, é a partir desta quinta-feira (16) que os efeitos do fenômeno começam a aparecer de maneira mais evidente no clima brasileiro.

No Sul, o El Niño costuma favorecer chuvas mais frequentes e volumosas. Uma primeira onda de tempestades relacionada ao novo cenário climático deve atuar entre esta quinta-feira e, pelo menos, a próxima terça-feira (21), atingindo principalmente o Rio Grande do Sul, além do Uruguai e da Argentina.

O Paraná também está entre os estados que podem enfrentar grandes volumes de chuva e eventos severos conforme o fenômeno se intensificar. Isso não significa, porém, que tempestades ou enchentes ocorrerão imediatamente em todas as regiões. Os efeitos tendem a surgir de maneira gradual e podem variar conforme o período e a atuação de outros sistemas meteorológicos.

As projeções para os próximos meses chamam a atenção pela possível intensidade do fenômeno. Segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, ligado à NOAA, existe 81% de probabilidade de o El Niño alcançar a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro.

Caso a previsão se confirme, o episódio poderá ficar entre os mais intensos da série histórica iniciada em 1950. A expressão “Super El Niño” tem sido utilizada para destacar esse cenário, mas não representa uma classificação meteorológica oficial.

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