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Aluno da rede pública “ganha o mundo” com viagem à Austrália e primeiro lugar em medicina na federal

Da pequena Alto Paraíso, no Noroeste do Paraná, Luiz Andrade participou do programa de intercâmbio da Secretaria de Educação em 2024, quando estudou na Austrália. Experiência que o ajudou na aprovação em destaque nos cursos de medicina da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Por: Da Redação Fonte: DA REDAÇÃO COM AEN
18/02/2026 às 15h44
Aluno da rede pública “ganha o mundo” com viagem à Austrália e primeiro lugar em medicina na federal
Foto: Luiz Fernando Souza de Andrade/Arquivo pessoal

Da pequena Alto Paraíso, cidade do Noroeste do Paraná, até Beaconsfield, uma das maiores metrópoles da Austrália, são mais de 24 horas dentro do avião e 13,4 mil quilômetros de distância. Esse foi o caminho que o jovem Luiz Fernando Souza de Andrade, com 15 anos à época, percorreu em 2024 graças ao programa Ganhando o Mundo, da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR).

A conquista de poder cursar um semestre letivo em um país do outro lado do globo se soma agora à outra tão importante quanto: a aprovação não em um, mas em dois vestibulares para medicina em universidades públicas, um dos cursos mais disputados no País. Hoje com 17 anos, Luiz passou em primeiro lugar nos cursos de medicina da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Pela Unioeste, Luiz foi o primeiro colocado no programa Aprova Mais Universidades, desenvolvido em parceria entre a Seed-PR e a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Pela UFMS, o paranaense foi o primeiro colocado no processo seletivo seriado, que avalia o aluno ao longo dos três anos do ensino médio. 

“Prestei vestibular para UFPR, UEL, Unicentro, Unioeste, UFMS e também fiz o Enem. Meu foco sempre foi entrar na universidade pública, mas não esperava passar direto agora, então foi uma surpresa muito grande”, afirma Luiz, que finalizou o 3º ano do ensino médio em 2025 e já está com a matrícula garantida no ensino superior.

O desejo pela área médica vem desde criança. Por volta dos cinco anos, ao quebrar a clavícula, teve de ser transferido para um hospital. Foi o primeiro contato do qual tem memória, uma vez que, como morava em cidade pequena, conhecia apenas a unidade de saúde, de atendimento menos complexo. “Lembro das pessoas que me atenderam, do médico. Acho que foi ali que surgiu essa vontade e, desde então, sempre falei que seria médico e que me esforçaria para isso”, recorda. “Nunca foi uma opção desistir.”

O caminho para se chegar a esse ponto, como é de se esperar, foi de muito estudo. Luiz conta que, logo após voltar do intercâmbio, em julho de 2024, acelerou ainda mais o ritmo para buscar a realização do sonho. “Eu frequentava o ensino médio pela manhã e à tarde ficava estudando por conta própria, cerca de quatro horas por dia. À noite, fazia cursinho das 19h às 22h”, lembra, sobre conciliar as aulas no Colégio Estadual Vila Alta, em Alto Paraíso, com o curso pré-vestibular.

Ele chegou a ser aprovado em 5° lugar para cursar Engenharia Civil na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ainda quando estava no 2° ano do Ensino Médio, com a nota do Enem de 2023. Resultados que fizeram com que Luiz conseguisse uma bolsa de estudos em Umuarama, em uma distância muito inferior à Austrália, de apenas 66 quilômetros de sua cidade natal. Na Capital da Amizade, dividia a rotina entre o curso em período integral, já com foco no vestibular de Medicina, e à noite no 3º ano do ensino médio no Colégio Estadual Pedro II.

“Eu acordava por volta das 6h30, com seis aulas pela manhã, das 7h15 ao meio-dia. Tinha duas horas de almoço, mas fazia tudo rápido para sobrar mais tempo para estudar e, por volta das 13h15, já retornava para o cursinho. Estudava nas cabines individuais de maneira ativa, com resolução de exercícios e aulas específicas, principalmente de biologia e química, até por volta das 19h. Depois, ia direto para o colégio à noite”, comenta, sobre a rotina intensa de estudos. “Eu chegava em casa todos os dias por volta das 23h.”

E se engana quem pensa que o final de semana era só moleza. “No sábado tinha aula pela manhã e, à tarde, fazia simulados do Enem, de vestibulares e provas antigas. No domingo descansava um pouco, mas reservava de duas a três horas para fazer a correção detalhada dos simulados, analisando erros, acertos e pontos de melhoria”, acrescenta.

Com a aprovação por nota no ensino médio já no meio do ano letivo, Luiz aproveitava os momentos livres para focar nas atividades do cursinho. Fazia, em média, 70 exercícios por dia, o que, segundo ele, “não focado apenas na quantidade, mas na qualidade”. Esforço que foi recompensado.

“Sempre digo só não passa quem desiste, e eu não estava disposto a desistir. Se não fosse agora, seria depois. As vagas existem e precisam ser preenchidas. Eu não esperava e agora vou preencher uma vaga, realizando meu sonho”, celebra, ao passo que destaca a trajetória até chegar a aprovação. “Digo que não existe uma dica ou segredo. É sentar na cadeira e estudar com foco. Saía com os amigos às vezes, mas abdiquei de muitos momentos. Ninguém está bem todos os dias, mas é preciso manter constância.”

FUTURO

Luiz escolheu a Unioeste e, em breve, terá novo CEP residencial. Ele vai percorrer agora 340 quilômetros para estudar no campus de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná. A matrícula já está feita.

“As aulas começam no dia 16 de março. Já estou em contato com veteranos e, na próxima semana, vou conhecer o campus e ver minha nova moradia. Também já conheci colegas aprovados que serão da minha turma”, explica.

O jovem conquistou a vaga na Unioeste por meio do Aprova Mais Universidades. Desenvolvido em parceria entre a Seed-PR e a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), com o programa os estudantes das escolas públicas concorrem a uma vaga nas universidades estaduais com a nota da Prova Paraná Mais, avaliação realizada em novembro do ano passado.

Neste ano, 13,4 mil estudantes realizaram 24,2 mil inscrições (cada estudante pode se candidatar a até dois cursos). Foram 3.757 vagas em 1,3 mil cursos de nível superior das sete universidades estaduais —UEL, UEM, UEPG, UENP, Unioeste, Unicentro e Unespar.

 

 

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