Entretenimento NO BANCO DOS RÉUS
Mulher entra na Justiça para processar Deus após sua casa ser destruída por um raio
Caso aconteceu nos Estados Unidos na década de 1960 e levou uma advogada a procurar uma brecha para colocar o próprio Deus como réu em um processo judicial
06/10/2026 13h22 Atualizada há 7 horas
Por: Marcelo Aguiar Fonte: Redação - Marcelo Aguiar
Foto: Reprodução/Internet

Redação - Marcelo Aguiar

ENTRETENIMENTO - O que você faria se um raio atingisse sua casa, provocasse um incêndio e destruísse praticamente tudo o que você tinha? Para a americana Betty Penrose, a resposta foi tão inusitada quanto o próprio episódio: ela decidiu recorrer à Justiça e processar Deus.

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A história aconteceu nos Estados Unidos e ganhou repercussão no fim da década de 1960. Penrose era uma secretária jurídica de Phoenix, no Arizona, quando sua casa foi atingida por um raio durante uma tempestade. O incidente provocou um incêndio e causou prejuízos que, segundo o processo apresentado posteriormente, chegavam a US$ 100 mil.

Em vez de simplesmente aceitar o episódio como uma fatalidade, Penrose resolveu procurar uma forma de responsabilizar judicialmente o autor que ela considerava responsável pelo acontecimento: Deus.

A ideia ganhou forma com a ajuda de seu chefe, o advogado Russel H. Tansie. O profissional encontrou uma maneira peculiar de tentar estabelecer uma jurisdição que permitisse levar o caso adiante.

A estratégia estava relacionada a uma propriedade na Califórnia chamada Morning Star Ranch. O local havia pertencido ao músico folk Lou Gottlieb, integrante do grupo The Limeliters. Em 1969, Gottlieb havia feito uma escritura transferindo a propriedade para Deus.

Foi justamente essa situação que chamou a atenção de Tansie. Se Deus aparecia formalmente como destinatário de uma propriedade localizada na Califórnia, o advogado argumentou que seria possível apresentar uma ação contra ele naquele estado.

O processo foi então apresentado no condado de Sonoma. Nos documentos, Deus aparecia como réu e era responsabilizado pela “manutenção e operação do universo”, incluindo as condições meteorológicas do Arizona. A acusação atribuía ao réu uma suposta negligência que teria permitido que o raio atingisse a residência de Penrose.

A situação ficou ainda mais curiosa quando a Justiça precisou lidar com uma questão básica: como entregar uma intimação a Deus?

O processo chegou a ter uma convocação direcionada a “Deus”, também identificado no documento por outros nomes religiosos. Na época, pessoas chegaram a procurar as autoridades dizendo ser Deus, mas Penrose não aceitou nenhuma delas como representante do réu. Um documento histórico preservado pela Sonoma County Library mostra inclusive uma resposta apresentada por uma pessoa que se identificou como Deus em relação à propriedade.

A história passou a circular justamente pela combinação improvável de elementos: um raio, uma casa destruída, uma secretária jurídica inconformada, um advogado disposto a levar a ideia adiante e um processo judicial que colocava Deus no lugar tradicionalmente ocupado por pessoas ou empresas.

Há relatos posteriores de que Penrose teria obtido uma decisão favorável por ausência do réu, com versões mencionando uma indenização de US$ 100 mil. No entanto, registros e estudos jurídicos sobre o episódio apontam que a situação era mais complicada. A escritura que colocava a propriedade em nome de Deus foi considerada inválida, já que não seria possível para Deus assumir legalmente a posse do imóvel. Com isso, a própria base utilizada para estabelecer a jurisdição do processo ficou comprometida.

O episódio acabou entrando para a lista dos casos jurídicos mais incomuns já registrados nos Estados Unidos e também se tornou uma referência quando o assunto são processos movidos contra entidades sobrenaturais.

Décadas depois, a história de Betty Penrose continua sendo lembrada justamente pela pergunta que parece saída de um filme: é possível levar Deus aos tribunais depois de ser atingido por um raio?

No caso de Penrose, a tentativa chegou muito mais longe do que seria possível imaginar.