Radar INVESTIGAÇÃO
Mãe confessa que matou filhos enquanto dormiam e abandonou corpos no carro
Crianças foram sufocadas em Arapongas e tiveram os corpos abandonados dentro de um carro na PR-436, entre Bandeirantes e Itambaracá; Polícia Civil investiga possível relação do crime com disputa pela guarda dos irmãos
06/11/2026 09h23
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO - DAVI MARTINS
Mulher confessou ter matado os próprios filhos enquanto eles dormiam. Foto: Divulgação

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

A Polícia Civil do Paraná confirmou que Franciele Gawleta, mãe das duas crianças encontradas mortas dentro de um carro abandonado no Norte Pioneiro, confessou ter matado os próprios filhos enquanto eles dormiam. As vítimas, um menino de 5 anos e uma menina de apenas 1 ano, foram encontradas na quarta-feira (4), nas proximidades de uma ponte sobre o Rio das Cinzas, na rodovia PR-436, entre os municípios de Bandeirantes e Itambaracá.

De acordo com o delegado Denner Roque, responsável pelas investigações, Franciele relatou em depoimento que sufocou as crianças na cidade de Arapongas, no Norte do Paraná, onde residia com os filhos. Após as mortes, ela teria colocado os corpos dentro de um veículo e seguido até a região de Itambaracá, onde abandonou o automóvel com as vítimas em seu interior.

O caso começou a ser investigado depois que as crianças foram encontradas sem vida dentro do carro, estacionado próximo à ponte. Antes de ser localizada, Franciele enviou mensagens de áudio a um familiar informando onde havia deixado o veículo e pedindo que alguém fosse até o local.

Em uma das gravações, a mulher afirmou que havia deixado o automóvel aberto porque não sabia como agir. Na sequência, pediu ao familiar que enviasse alguém para socorrer as crianças.

Após a localização dos corpos, equipes das forças de segurança iniciaram buscas pela mãe. A mulher foi encontrada horas depois, nas proximidades de um pesque-pague, após ser avistada por pessoas que acionaram a Polícia Militar. Ela foi presa em flagrante por homicídio.

Disputa pela guarda é investigada

Um dos principais pontos da investigação é a existência de uma disputa judicial pela guarda das crianças. Conforme o delegado Denner Roque, o pai dos irmãos reside em Itambaracá, enquanto Franciele morava em Arapongas.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que os homicídios possam ter sido motivados pelo conflito familiar. Uma das linhas de investigação considera a possibilidade de que a mãe tenha cometido os crimes para impedir que o pai mantivesse contato com os filhos.

"A motivação, até foi nossa principal vertente de investigação, foi de uma tentativa de não permitir que o pai tivesse qualquer contato com essas crianças, vivas ou mortas", declarou o delegado.

Apesar da suspeita, a Polícia Civil ressalta que ainda não existe confirmação oficial sobre a motivação dos homicídios. O histórico da disputa judicial e outros elementos deverão ser analisados durante o andamento do inquérito.

Os corpos das crianças foram encaminhados à Polícia Científica para a realização dos exames periciais. Os trabalhos deverão auxiliar no esclarecimento das circunstâncias e da causa das mortes.

Defesa se manifesta

A defesa de Franciele Gawleta, representada pela advogada Nádia Guaita Calixto Alves, divulgou uma manifestação afirmando que os acontecimentos estão sendo apurados dentro do devido processo legal.

Segundo a advogada, todas as alegações serão analisadas e confrontadas com os elementos existentes nos autos. A defesa também informou que Franciele confia nas instituições e no Poder Judiciário e que está comprometida em colaborar com as autoridades competentes.

A manifestação ainda destaca a necessidade de respeito à presunção de inocência e afirma que conclusões precipitadas podem prejudicar os direitos fundamentais da investigada.

A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer completamente a dinâmica dos homicídios e identificar o que teria motivado a morte das duas crianças.

Com informações de G1 Paraná.