DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
Um fazendeiro foi multado em R$ 55 mil após a Polícia Militar Ambiental identificar o corte irregular de 40 araucárias e danos em aproximadamente 44 mil metros quadrados de floresta nativa, em uma propriedade rural no município de Imbituva, na região dos Campos Gerais do Paraná. Segundo a corporação, o proprietário pretendia abrir espaço para o plantio de eucalipto, espécie cuja madeira possui diversas aplicações comerciais. Além das multas, o homem também será investigado por possíveis crimes ambientais.
A fiscalização aconteceu na segunda-feira (26), após a Polícia Militar Ambiental receber informações sobre o desmatamento por meio do Disque-Denúncia 181. Uma equipe foi até a propriedade e constatou a retirada irregular das árvores, além de danos em uma extensa área de vegetação nativa.
Conforme o levantamento realizado no local, foram identificadas 40 araucárias cortadas sem autorização ambiental, irregularidade que resultou em uma multa de R$ 20 mil.
Além disso, os policiais constataram danos em uma área de 4,39 hectares, equivalente a aproximadamente 43,9 mil metros quadrados de vegetação nativa da Mata Atlântica. A dimensão corresponde a mais de seis campos de futebol.
Segundo a corporação, os danos ocorreram por meio da roçada do sub-bosque, vegetação que cresce abaixo das árvores maiores, em uma floresta que estava em estágio médio de regeneração, ou seja, em processo de recuperação após alterações anteriores. Por essa irregularidade, foi aplicada outra multa, no valor de R$ 35 mil.
De acordo com informações da Polícia Militar Ambiental repassadas ao g1, o proprietário relatou que pretendia utilizar a área para o plantio de eucalipto, espécie exótica amplamente cultivada no Brasil.
A madeira do eucalipto é comercializada para diferentes atividades econômicas, incluindo as indústrias de papel e celulose, a construção civil e rural, a produção de energia e a fabricação de móveis.
Entretanto, mesmo quando a finalidade é o cultivo de espécies comerciais, a retirada de vegetação nativa depende do cumprimento das exigências ambientais.
Além das autuações administrativas, o proprietário será alvo de investigação para apurar a possível prática de crimes ambientais. A Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, prevê sanções que podem incluir prisão para determinadas condutas envolvendo a destruição ou danificação de vegetação protegida.
O nome do fazendeiro não foi divulgado.
A legislação ambiental estabelece regras diferentes para o manejo de espécies nativas e exóticas.
Segundo o Instituto Água e Terra (IAT), o corte de espécies florestais exóticas, como eucalipto, pinus, uva-do-japão e cinamomo, geralmente não exige autorização ambiental prévia, desde que não estejam em áreas de preservação permanente ou em outras situações sujeitas a restrições específicas.
Já a retirada de espécies nativas, como a araucária, exige autorização ambiental prévia, independentemente de onde estejam localizadas.
A araucária é uma das árvores mais conhecidas do Paraná e integra a vegetação característica da Mata Atlântica. Sua exploração está sujeita a regras de proteção ambiental.
O caso deverá ser investigado para determinar se, além das infrações administrativas já constatadas, houve a prática de crimes ambientais.
Com informações de G1 Paraná.