
DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
A vereadora de Londrina e deputada estadual eleita Jéssica Ramos Moreno (PL), conhecida como Jessicão, voltou ao centro de uma polêmica após a divulgação de um vídeo em que dirige ofensas a homossexuais que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Para de ser uma bicha mentirosa!"
O vídeo foi divulgado nas redes sociais na reta final do segundo turno das eleições presidenciais, disputado entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Na legenda da publicação, Jessicão escreveu: "CHEGA DE MENTIRA, Agora é Flávio Bolsonaro".
A declaração começa com ataques direcionados a integrantes da comunidade LGBTQIA+ que justificam seu posicionamento eleitoral por questões relacionadas à própria existência e aos direitos dessa população.
"Para de ser uma bicha mentirosa!", dispara Jessicão no início da gravação. Em seguida, dirige-se também às mulheres lésbicas, utilizando o termo "sapatão" de maneira ofensiva e mandando os eleitores que discordam dela "para a merda".
A parlamentar eleita questiona o argumento de que a eleição de candidatos conservadores poderia representar ameaças aos direitos de pessoas LGBTQIA+. Para isso, cita os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, afirmando que homossexuais não teriam sido perseguidos durante aquele período.
Ao longo do vídeo, a vereadora intensifica os ataques e passa a relacionar o apoio ao presidente Lula com a suposta aceitação de crimes.
"Você está fazendo o L porque você gosta de safadeza. Porque você passa a mão na cabeça de bandido", afirma.
Jessicão também acusa o presidente de favorecer criminosos, incluindo autores de roubos, homicídios e violência sexual, sem apresentar, no trecho transcrito, elementos que comprovem as acusações.
Em outro momento, a parlamentar eleita afirma que os eleitores deveriam reconhecer que apoiam alguém que ela considera criminoso. As declarações representam opiniões e acusações políticas da vereadora, não conclusões factuais sobre o presidente ou seus eleitores.
Durante a gravação, Jessicão ainda argumenta que votar no candidato do PL não representaria risco à segurança de pessoas homossexuais, enquanto apoiar Lula poderia, segundo ela, aumentar a exposição à criminalidade.
A argumentação foi utilizada para defender a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A vereadora encerra o discurso incentivando o voto no número 22, utilizado pelo PL.
A divulgação do vídeo antecedeu outra polêmica envolvendo a deputada estadual eleita.
Após a vitória de Lula no segundo turno, realizado no domingo (25), Jessicão publicou uma mensagem incentivando empresários e empregadores a demitir funcionários que votaram no presidente reeleito.
Na publicação, a vereadora também aconselhou seus seguidores a deixar de contratar prestadores de serviços, como barbeiros, e a romper relações de amizade com pessoas identificadas como petistas.
A mensagem utilizava repetidamente a palavra "demita" e afirmava que os votos dados ao PT prejudicariam os negócios, as famílias e a vida dos brasileiros.
A manifestação levou o Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR) a abrir uma investigação para apurar possível assédio eleitoral e incentivo à discriminação por posicionamento político.
Especialistas em direito do trabalho ouvidos pelo UOL explicaram que dispensas motivadas pela preferência política de trabalhadores podem ser consideradas discriminatórias, com possibilidade de responsabilização trabalhista e civil. A eventual responsabilização de quem incentiva essas práticas depende da análise jurídica de cada caso.
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