Redação - Marcelo Aguiar
POLÍTICA - A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25), reacendeu o debate sobre a separação da Região Sul do restante do Brasil. Publicações favoráveis e contrárias à ideia passaram a circular nas redes sociais, como Facebook, Instagram e Reddit, enquanto internautas discutem diferenças políticas, econômicas e culturais entre os estados sulistas e outras regiões do país.
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A discussão ganhou repercussão na segunda-feira (26), quando usuários passaram a compartilhar manifestações sobre a possibilidade de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul formarem um país independente. Entre os argumentos apresentados por defensores da proposta estão a insatisfação com o resultado eleitoral, as diferenças de preferência política e questionamentos sobre a distribuição de recursos e a relação econômica com o governo federal.
O assunto também gerou reações contrárias. Nas discussões on-line, há usuários que apoiam a separação, enquanto outros criticam a ideia, questionam sua viabilidade e defendem a permanência dos estados na Federação brasileira. As manifestações refletem opiniões expressas nas plataformas, mas não representam, por si só, uma medida do apoio da população sulista ao separatismo.
A repercussão foi acompanhada por uma iniciativa política em Santa Catarina. Na segunda-feira, o deputado estadual eleito Bruno Souza (PL-SC) anunciou que pretende propor um plebiscito para consultar a população sobre a permanência da região na Federação. Ele também divulgou a criação do comitê Sul Livre e convidou parlamentares do Paraná e do Rio Grande do Sul a participar da mobilização.
A defesa da separação, porém, não começou com o resultado das eleições de 2026. O movimento O Sul é Meu País atua desde 1992 e defende a independência dos três estados. Em 2016 e 2017, a organização promoveu consultas populares não oficiais para perguntar aos participantes se apoiavam a criação de um país independente.
Na consulta realizada em 2016, cerca de 616 mil pessoas participaram, número equivalente a aproximadamente 3% do eleitorado dos três estados na época. Em 2017, a participação foi menor, correspondendo a cerca de 1,7% dos eleitores da região. Os levantamentos foram organizados pelo próprio movimento e não tiveram caráter oficial.
Com o resultado eleitoral e a circulação de novas manifestações nas redes sociais, a proposta separatista voltou a ocupar espaço no debate público, reunindo posicionamentos divergentes sobre identidade regional, política e a relação dos estados do Sul com o restante do país.
Apesar da repercussão do debate, a Constituição Federal estabelece limites para a separação de estados brasileiros. O artigo 1º define a união dos estados, municípios e do Distrito Federal como indissolúvel, enquanto o artigo 60 protege a forma federativa de Estado como cláusula pétrea. Dessa forma, um plebiscito regional não seria suficiente para tornar Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul independentes do Brasil.