DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
IBAITI - Uma atitude rápida, coragem e uma história marcada pela fé salvaram a vida de um estudante no Norte Pioneiro. A professora Franciane Pereira Jacomini ajudou a salvar a vida de Luis Henrique Francisco de Almeida, de 15 anos, durante uma emergência em um colégio estadual de Ibaiti. O adolescente sofreu uma crise convulsiva e, segundo a mãe, teve uma parada respiratória após aspirar um pedaço de bolacha.
O episódio aconteceu na última quarta-feira (21), durante o intervalo escolar. Franciane estava nas proximidades quando ouviu uma pedagoga alertar que um estudante estava convulsionando. Ela correu para ajudar e encontrou o aluno em situação grave.
“Quando virei a cabeça dele, percebi que já não estava respondendo e que não estava respirando. Foi quando comecei a massagem cardíaca”, contou a professora em entrevista à Folha.
Imediatamente, Franciane iniciou compressões torácicas. As massagens duraram por alguns minutos, e exigiram bastante esforço físico. Uma outra professora ajudou Franciane, e as duas permaneceram ao lado do estudante quanto aguardavam socorro especializado.
“Eu já estava ficando cansada, porque a massagem cardíaca exige muita força. A Silmara colocou a mão sobre a minha e dizia: ‘Não desiste, Fran’. Ficamos ali durante alguns minutos, sem desistir”, relembrou.
Franciane descreveu a angústia de perceber que o adolescente não reagia. Segundo ela, a oração foi uma maneira de encontrar forças para continuar tentando ajudá-lo.
“Comecei a orar, pedir a Deus e a Nossa Senhora. Quando percebi que ele voltou, me ajoelhei no chão e agradeci muito a Deus pelo milagre que aconteceu na vida desse menino”, relatou.
De acordo com a professora, Luis Henrique apresentou sinais de recuperação antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Depois, recebeu atendimento médico e pôde retornar para casa.
A mãe do estudante, Isabela Cristina Garcia Francisco, contou à Folha que o filho tem epilepsia, transtorno do espectro autista (TEA), nível 1 de suporte, e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Ele faz uso de medicamentos, mas ainda apresenta crises convulsivas.
A família também enfrenta dificuldades para conseguir acompanhamento especializado pela rede pública. Isabela afirma que o adolescente está sem as terapias de que necessita desde o início do ano e que não tem condições financeiras de custear o atendimento particular.
“Desde o início do ano ele está sem terapia. A neurologista pediu consultas a cada seis meses, mas a fila do SUS é muito extensa e não conseguimos. Também não temos condições de pagar pelas terapias”, lamentou.
Segundo a mãe, Luis Henrique comia uma bolacha quando começou a convulsionar. Ela contou que parte do alimento foi aspirada e obstruiu as vias respiratórias, tornando o episódio especialmente perigoso.
“De todas as crises que ele já teve, essa foi uma das piores. Ele teve uma parada respiratória, e a professora fez de tudo para salvar meu filho”, afirmou.
Isabela estava em casa quando soube do ocorrido e saiu imediatamente para acompanhar o filho. Agora, ao recordar os momentos de apreensão, destaca a importância da mobilização das educadoras e o alívio de tê-lo novamente ao seu lado.
“Graças a Deus, hoje tenho meu filho em casa. Posso dar boa noite, posso dar bom dia e dizer o quanto eu o amo”, declarou.
Isabela também destacou o momento em que as professoras rezavam pela vida de Luís. “Somos muito religiosas, e durante todo o procedimento, a Fran estava rezando, a Silmara também, e Graças a Deus o meu filho está bem”, destacou.
Franciane faz questão de dividir o reconhecimento com Silmara, professora que a ajudou. Para ela, o episódio também representa uma experiência profunda de fé, que prefere recordar com gratidão.
“Não fui eu quem salvou o Luís. Eu e a Silmara fomos instrumentos nas mãos de Deus. Estávamos no lugar certo, na hora certa. Quem fez a obra foi Deus”, afirmou.
Nesta terça-feira (27), Luis Henrique completa 16 anos. Depois do susto, o aniversário ganhou outro significado para a família: celebrar sua recuperação e a oportunidade de estar reunida novamente.