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É fake informação de que Ivermectina cura câncer; Anvisa alerta para riscos
Agência desmente publicações que apresentam o antiparasitário como alternativa contra tumores e alerta que abandonar terapias comprovadas pode colocar pacientes em risco
15/10/2026 15h56
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO - DAVI MARTINS
Imagem Ilustrativa. Foto: Reprodução/Internet

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

É falsa a informação de que a ivermectina pode curar o câncer. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta nesta quinta-feira (15) para esclarecer que não existem evidências científicas que comprovem a eficácia do medicamento na redução ou eliminação de tumores em seres humanos. O comunicado foi divulgado após a circulação de publicações nas redes sociais que apresentam o antiparasitário como uma suposta alternativa aos tratamentos oncológicos.

Segundo a agência, as mensagens utilizam resultados de pesquisas realizadas em laboratório e em animais para sugerir que a ivermectina teria propriedades contra o câncer. Entretanto, esses estudos não demonstram que o medicamento seja seguro ou eficaz para tratar a doença em pacientes.

A Anvisa também identificou a divulgação de supostos protocolos de tratamento, além da comercialização de e-books que apresentam a ivermectina como componente central de terapias contra o câncer.

Estudos em laboratório não comprovam eficácia

A ivermectina é um medicamento utilizado no tratamento de determinadas infecções parasitárias. Seu uso contra o câncer não possui comprovação científica nem indicação aprovada pela Anvisa.

De acordo com a agência, parte da desinformação circula desde 2019, quando resultados de pesquisas envolvendo ivermectina e outros antiparasitários passaram a ser apresentados nas redes sociais como possíveis evidências de eficácia contra tumores.

O problema, segundo o órgão, é que resultados obtidos em células isoladas ou em animais não podem ser automaticamente aplicados aos seres humanos. Essas pesquisas representam etapas iniciais do desenvolvimento científico e precisam ser seguidas por estudos clínicos rigorosos.

Um levantamento publicado em 2024 na revista científica PLOS Biology, citado no material, apontou que apenas uma pequena parcela dos medicamentos testados em animais avança para estudos em humanos. O dado reforça a distância entre resultados experimentais e a comprovação de eficácia clínica.

A Anvisa informa ainda que não há pedido de aprovação ou estudos apresentados ao órgão que sustentem a indicação da ivermectina para o tratamento do câncer.

Abandonar tratamento pode colocar pacientes em risco

O principal alerta da agência está relacionado às consequências da desinformação para pessoas diagnosticadas com câncer.

Ao acreditar em promessas de cura sem comprovação, pacientes podem interromper ou substituir tratamentos recomendados por profissionais de saúde, comprometendo as possibilidades de controle da doença.

Além disso, a utilização de medicamentos sem indicação médica pode provocar efeitos adversos e expor os pacientes a riscos desnecessários.

O câncer não é uma doença única. Existem mais de 200 tipos descritos na literatura médica, com características e necessidades terapêuticas diferentes. Por isso, a escolha do tratamento depende de fatores como o tipo de tumor, o estágio da doença e as condições clínicas de cada paciente.

Entre as terapias utilizadas estão cirurgia, quimioterapia, radioterapia e outros tratamentos específicos, definidos conforme protocolos científicos e avaliação médica. Em situações selecionadas, também pode haver indicação de transplante de medula óssea.

A orientação é que pacientes não utilizem medicamentos divulgados nas redes sociais como supostas curas e conversem com a equipe médica antes de qualquer alteração no tratamento.

Com informações de Metrópoles.