SENAR DIA DE CAMPO
Dia de Campo em Cambará aborda alternativa para manejo do solo em altas temperaturas
Programação conclui série de cinco eventos promovidos pelo Sistema FAEP com foco na sustentabilidade dentro da porteira
01/10/2026 18h00
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO COM SENAR
Foto: Senar

DA REDAÇÃO/SENAR - FOLHA EXTRA

Cambará recebeu, nesta quarta-feira (30), o último Dia de Campo de Solos da série de cinco promovidos pelo Sistema FAEP entre agosto e setembro. O evento reuniu 73 participantes, incluindo produtores rurais, técnicos e estudantes, no Sítio São Manuel e na Fazenda Santa Mônica. As palestras envolveram estruturas de conservação do solo, consórcio de plantas, avaliação visual da qualidade do solo e plantas de cobertura. Ao longo dos dois meses, a entidade paranaense realizou Dias de Campo em Toledo (05/08), Umuarama (02/09), Cruzeiro do Sul (16/09), Irati (24/09) e Cambará (30/9).

"Realizar essa série de eventos reforça o compromisso do Sistema FAEP em disseminar o conhecimento diretamente no campo. Ao capacitar os produtores para adotarem o manejo correto e técnicas de conservação do solo, fortalecemos a agricultura paranaense diante dos desafios climáticos", afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.

Situado no Norte Pioneiro do Paraná, o município de Cambará, assim como os demais da região, apresenta temperaturas altas, o que ocasiona uma rápida decomposição e desaparecimento da matéria orgânica que cobre o solo. Sem essa cobertura, a terra fica exposta, perde umidade, esquenta demais e fica fragilizada para o próximo plantio. Portanto, é necessário adotar práticas de manejo que garantam uma maior produção de palhada, por exemplo, para manter o solo protegido por mais tempo.

“O consórcio da cultura do milho com a braquiária é uma alternativa para gerar uma quantidade adequada de palhada. A braquiária pode ser semeada na entrelinha do milho ou aplicada na superfície”, explica Cezar Francisco Araujo Junior, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná).

O palestrante compartilhou os resultados de um experimento prático conduzido em uma área de agricultor no município de Bela Vista no Paraíso. Usando consórcio de milho e braquiária, foi possível, neste ano, aumentar a produtividade do milho, passando de 132 para 139 sacas por hectare.

“Esse consórcio é uma solução muito interessante, que ajuda a sincronizar a taxa de liberação dos nutrientes, preparando o terreno para a cultura subsequente, no caso, a soja”, diz o pesquisador.

Outro assunto do Dia de Campo envolveu o controle da erosão, abordado por Graziela Moraes de Cesare Barbosa, também pesquisadora do IDR-Paraná. Ela apresentou resultados de projetos de pesquisa em áreas de agricultores, demonstrando como práticas conservacionistas podem ajudar a evitar perda de solo e de água.

“O uso eficiente dos terraços, por exemplo, contribui para que num evento de chuva extrema seja possível controlar o processo erosivo. Assim, haverá redução da perda de solo, de água e principalmente dos nutrientes colocados para suprir as necessidades da planta”, diz.

“Alguns produtores já aplicam as técnicas demonstradas, mas, agora, têm um conhecimento mais aprofundado e vão poder aprimorá-las no dia a dia”, afirma Aristeu Sakamoto, presidente do Sindicato Rural de Cambará.

Fernando Rodrigues Ferreira, agricultor e proprietário da Fazenda Santa Mônica, conta que tirou aprendizados principalmente sobre o manejo de solo em lavouras de soja e milho.

“Tivemos a oportunidade de aprender sobre temas de física e química do solo, considerando as características aqui do Norte do Paraná. Vimos como tirar o melhor proveito desse tipo de solo”, afirma.

Produtor rural, engenheiro agrônomo e proprietário do Sítio São Manuel, José Cenizo diz que as informações compartilhadas no Dia de Campo serão úteis, porque podem ser replicadas e adaptadas pelos agricultores da região.

“Vimos algumas práticas que reforçam que estamos no caminho certo no manejo de solo, enquanto outras mostram o que podemos fazer de melhor. Sempre tem alguém fazendo algo diferente e obtendo bons resultados, então é nossa obrigação aprender e trazer isso para dentro da nossa propriedade”, diz Cenizo. “Eu mesmo tirei dúvidas e decidi adotar novas práticas a partir de amanhã, para reduzir custos e ter mais eficiência.”