Variedades BARRADOS!
Brasileirão terá redução gradual no limite de estrangeiros a partir de 2027
Medida aprovada pela CBF e pelos clubes das Séries A e B prevê queda de nove para cinco atletas estrangeiros relacionados por partida até 2030; mudança será acompanhada por aumento gradual do espaço para jogadores sub-23
22/09/2026 17h42
Por: DAVI MARTINS Fonte: LEO DIAS
(Arrascaeta (Reprodução))

Os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro aprovaram, na segunda-feira (21), a proposta da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para reduzir gradualmente o limite de jogadores estrangeiros que podem ser relacionados por partida. Atualmente, cada equipe pode colocar até nove atletas de outras nacionalidades na súmula. A partir de 2027, o número cairá para oito e será reduzido em um jogador por temporada até chegar a cinco em 2030. A CBF informou que a votação teve ampla adesão, com apenas dois votos contrários, enquanto a apuração da Itatiaia identificou Flamengo, Bahia e Londrina como os clubes que se posicionaram contra a mudança.

O Flamengo, por exemplo, defendeu que a discussão sobre os estrangeiros fosse acompanhada de uma mudança na regra que permite a transferência de um jogador entre clubes brasileiros somente depois de determinado número de partidas disputadas. A sugestão não foi colocada em votação naquele encontro.

Como será a transição

A mudança será implementada de forma escalonada para evitar que os clubes precisem alterar imediatamente seus elencos e contratos. O limite de estrangeiros relacionados por partida ficará em oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. O número final representará o mesmo limite que vigorava nas competições nacionais até 2022. Em 2023, o teto havia subido para sete e, em 2024, passou para nove.

A redução do limite de estrangeiros será acompanhada por uma alteração no formato de inscrição dos elencos. Os clubes continuarão podendo registrar até 50 jogadores, mas a relação será dividida entre duas listas. Em 2027, a Lista A terá 30 vagas, enquanto a Lista B contará com 20 jogadores sub-23. A divisão será alterada para 29/21 em 2028 e 27/23 em 2029, chegando, em 2030, a 25 atletas na Lista A e 25 na Lista B. A Lista B não exige que os jogadores tenham sido formados pelo próprio clube.

Qual é o objetivo da mudança?

Segundo a CBF, a principal finalidade é ampliar o espaço para jogadores jovens brasileiros e estimular a formação de atletas. O estudo apresentado pela entidade aponta que a participação de brasileiros sub-23 na Série A caiu de 28,3% dos minutos disputados em 2020 para 11,5% em 2026. No mesmo período, a participação de estrangeiros com mais de 23 anos aumentou de 7,8% para 25% dos minutos.

A CBF também aponta que a idade média dos jogadores da Série A subiu de 27,3 anos em 2021 para 28,5 anos em 2026. De acordo com o levantamento apresentado aos clubes, a média brasileira é superior à registrada nas principais ligas europeias analisadas. A entidade relaciona esse cenário à diminuição da participação de atletas mais jovens e pretende, com as novas regras, ampliar a utilização e o desenvolvimento desses jogadores no futebol profissional.

A mudança também tem uma dimensão econômica para os clubes. Segundo o estudo da CBF, jogadores de até 20 anos representaram 50,1% das receitas brasileiras com transferências para o exterior entre 2016 e 2025. A intenção declarada pela entidade é, portanto, aumentar as oportunidades de desenvolvimento desses atletas e preservar a capacidade dos clubes brasileiros de formar e negociar jovens jogadores, sem eliminar a possibilidade de contratação de estrangeiros.

A proposta aprovada não impede a presença de jogadores estrangeiros no futebol brasileiro, mas reduz progressivamente o número que poderá ser relacionado em uma mesma partida. A própria CBF destacou que a média atual é de 5,4 estrangeiros relacionados por jogo na Série A, abaixo do limite de nove, o que indica que a regra aprovada busca principalmente alterar o teto disponível para os clubes nos próximos anos.