DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
Candidato a deputado estadual pelo PDT, Alexandre Guimarães quer retornar à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) oito anos depois da eleição que o levou pela primeira vez ao Legislativo. Natural de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, o dentista de 52 anos esteve no Prosa Boa, da Folha Extra, durante passagem pelo Norte Pioneiro e apresentou a saúde como principal eixo de uma eventual volta ao Parlamento.
Guimarães foi eleito deputado estadual em 2014, com 24.357 votos, e exerceu mandato entre 2015 e 2019. Agora, afirma que iniciou há cerca de dois anos a reorganização das bases políticas para tentar conquistar um segundo mandato.
A ligação com a saúde antecede sua entrada na Alep. Dentista formado pela Universidade Federal do Paraná e especialista em endodontia, Guimarães contou que também foi professor e atuou na administração municipal de Campo Largo, primeiro na área odontológica e posteriormente como secretário de Governo.
Foi na gestão municipal que, segundo ele, participou da criação do programa de prevenção e saúde bucal “Ônibus do Dr. Dentão”, voltado principalmente às crianças. A experiência administrativa e a trajetória política da família, seu pai, Affonso Portugal Guimarães, foi vice-prefeito e prefeito de Campo Largo, antecederam a candidatura que o levou à Assembleia em 2014.
Durante o primeiro mandato, Guimarães ocupou a vice-presidência da Comissão de Saúde Pública da Assembleia Legislativa. Registros oficiais da Câmara Municipal de Campo Largo também apontam sua participação em outras comissões e a atuação na Frente Parlamentar de Políticas sobre Drogas.
Entre os projetos destacados por ele durante a entrevista está a proposta que determinou que hospitais, clínicas, consultórios e estabelecimentos similares informassem pacientes em tratamento de câncer sobre o direito à reconstrução da mama retirada, gratuitamente, nos hospitais públicos.
O projeto é de autoria de Guimarães e tramitou na Assembleia sob o número 938/2015. Segundo o candidato, a medida buscou atacar um problema que não estava necessariamente na inexistência do serviço, mas na falta de informação às pacientes. “O SUS, por lei, é obrigado a fazer essa reconstrução da mama. Eu criei a lei para que todas as mulheres sejam informadas disso”, afirmou durante o Prosa Boa.
Para a disputa de 2026, Guimarães afirma que pretende manter a saúde como prioridade, principalmente diante das filas enfrentadas por pacientes para consultas especializadas, exames e cirurgias.
“Hoje eu percebo isso em função da cidade lá receber muitas pessoas, e as pessoas muitas vezes esperam meses, e às vezes até anos por uma cirurgia ou por um atendimento”, disse.
A discussão ganhou um recorte regional quando a entrevista abordou a realidade dos pequenos municípios do Norte Pioneiro, onde pacientes frequentemente precisam deixar suas cidades em busca de consultas, exames e procedimentos especializados em centros maiores.
Questionado pela Folha Extra sobre a concentração desses serviços e os longos deslocamentos enfrentados pela população, Guimarães defendeu o fortalecimento dos polos regionais de saúde.
“Você sair lá de Santo Antônio da Platina ou de Jacarezinho, muitas vezes pegar a estrada e ter que ir lá no Rocio fazer o atendimento é muita distância. Então a gente tem que criar condições para que esses polos regionais de atendimento sejam fortalecidos”, afirmou.
Guimarães ponderou, entretanto, que mudanças estruturais na regionalização do atendimento não dependem exclusivamente da Assembleia. Segundo ele, o deputado pode propor e articular políticas, mas a execução exige participação do Governo do Estado e diálogo com municípios, prefeitos, consórcios e lideranças locais.
O candidato também citou investimentos em ambulâncias, equipamentos e Unidades Básicas de Saúde como instrumentos para melhorar a estrutura municipal, mas argumentou que o trabalho parlamentar deve ir além da destinação de recursos.
Outra frente que teve espaço durante a passagem de Guimarães pela Alep foi a política de prevenção às drogas. Em 2015, ele propôs a criação da Frente Parlamentar de Políticas sobre Drogas, da qual se tornou coordenador. O registro consta nos arquivos oficiais da Assembleia Legislativa.
A iniciativa utilizou como uma das referências o PESCÔ, programa desenvolvido em Campo Largo com ações de prevenção em escolas e comunidades. Durante o mandato, a experiência foi levada a diferentes municípios paranaenses.
Na entrevista, Guimarães afirmou que o trabalho alcançou 92 cidades e que 41 delas estavam no Norte Pioneiro. O número de 92 municípios também consta em registro institucional da Câmara de Campo Largo sobre a trajetória do ex-deputado.
No Norte Pioneiro, há registros de atividades da Frente em municípios como Andirá, Abatiá, Cambará, Nova Fátima, Santo Antônio do Paraíso, Santa Cecília do Pavão e Nova Santa Bárbara.
“Trouxe informação, orientação, suporte e ajuda para milhares de famílias de todo o Paraná, mas principalmente aqui do Norte Pioneiro”, afirmou Guimarães ao recordar o trabalho.
O cenário agora é diferente daquele encontrado por Guimarães em 2014. Na primeira candidatura, Campo Largo foi determinante para sua eleição. Desta vez, ele percorre outras regiões tentando ampliar a base eleitoral e retornar à Assembleia depois de ter encerrado o primeiro mandato em janeiro de 2019.
Na entrevista à Folha Extra, o candidato deixou claro que pretende utilizar a experiência anterior como argumento nesta nova disputa, mantendo a saúde como principal bandeira e defendendo maior estrutura de atendimento fora dos grandes centros.
Para o Norte Pioneiro, a proposta apresentada passa justamente pela regionalização. Guimarães sustenta que fortalecer hospitais, consórcios e estruturas regionais pode reduzir a necessidade de pacientes percorrerem centenas de quilômetros para conseguir atendimento especializado.
“Quero dar minha contribuição para essa área, para que a gente possa criar condições para a região aqui do Norte Pioneiro e todas as regiões do Paraná terem um atendimento mais adequado à saúde”, afirmou.
Ao final do Prosa Boa, Guimarães resumiu a concepção que pretende apresentar ao eleitor nesta tentativa de voltar à Alep: “Quem se dispõe a ter mandato tem que entregar resultado para entregar qualidade de vida”.