DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
Ciclone, furacão, tornado, nuvem-funil e microexplosão. Quando a previsão indica a chegada de temporais ou chuvas fortes, esses nomes começam a aparecer com frequência e podem causar confusão. Apesar de todos estarem relacionados à atmosfera e alguns serem capazes de provocar ventos destrutivos, eles não representam o mesmo fenômeno.
Uma das principais confusões acontece com os ciclones. Quando meteorologistas informam, por exemplo, que a formação de um ciclone extratropical poderá provocar chuva e vento forte no Sul do Brasil, isso não significa necessariamente que uma espécie de “tornado gigante” sairá do oceano atravessando cidades. E a diferença começa justamente pelo tamanho.
Pense no ciclone como uma grande “engrenagem” na atmosfera. Ele movimenta os ventos e pode ajudar a trazer chuva e temporais para uma área muito grande.
De forma técnica, um ciclone é uma grande região de baixa pressão atmosférica, com ventos circulando ao redor de seu centro. Esses sistemas podem alcançar centenas ou até milhares de quilômetros de extensão, influenciando o tempo em vários estados simultaneamente.
No Sul do Brasil, onde fica o Paraná, é comum a atuação dos chamados ciclones extratropicais, que é formado pelos contrastes de temperatura e associado a frentes frias. Imagine, por exemplo, que o centro de um ciclone esteja sobre o Oceano Atlântico, próximo à costa da Região Sul. Ele não precisa entrar fisicamente no Paraná para influenciar o estado.
Sua enorme circulação pode contribuir para organizar uma frente fria e áreas de instabilidade. Essas condições, por sua vez, podem favorecer chuva intensa, rajadas de vento, granizo e tempestades a centenas de quilômetros do centro do ciclone.
É por isso que uma cidade paranaense pode sofrer os efeitos de um sistema mesmo com o centro dele permanecendo sobre o oceano.
Outra confusão frequente envolve os furacões. Furacão é o nome utilizado para um ciclone tropical muito intenso em determinadas regiões do planeta. Diferentemente dos ciclones extratropicais comuns no Sul do Brasil, os ciclones tropicais obtêm grande parte de sua energia das águas quentes do oceano.
Quando um ciclone tropical alcança ventos máximos sustentados de pelo menos 119 km/h, passa a ser chamado de furacão.
Um exemplo fácil de visualizar são as enormes imagens de satélite mostrando uma tempestade circular sobre o oceano, muitas vezes com um “olho” bem definido no centro. Portanto, furacão e ciclone não são dois fenômenos completamente separados. Furacão é uma categoria dentro dos ciclones tropicais.
Nas imagens, a diferença aparece principalmente na organização das nuvens. Na primeira, o ciclone é visto como uma enorme circulação atmosférica, com nuvens girando ao redor de uma área de baixa pressão, mas sem um olho bem definido. Já na segunda, o furacão apresenta uma estrutura muito mais organizada e simétrica, com o característico “olho” no centro. Isso acontece porque o furacão é um tipo de ciclone tropical que, quando atinge determinada intensidade, apresenta ventos extremamente fortes. Em resumo: todo furacão é um ciclone, mas nem todo ciclone é um furacão.
O tornado é muito diferente. Enquanto um ciclone pode ter centenas ou milhares de quilômetros, um tornado geralmente afeta uma área muito menor.
Ele é uma coluna de ar em intensa rotação que se estende de uma tempestade até o solo. Apesar de pequeno quando comparado a um ciclone, pode produzir ventos extremamente violentos e provocar destruição severa em uma faixa bastante localizada.
Um exemplo ajuda a entender: um ciclone pode influenciar o tempo de boa parte da Região Sul durante um ou mais dias. Já um tornado pode atravessar apenas alguns quilômetros de uma cidade, destruindo imóveis em determinados bairros enquanto outras áreas próximas praticamente não sofrem danos.
É como comparar um enorme sistema meteorológico regional com um fenômeno extremamente concentrado.
Aqui existe outra diferença importante: um ciclone não “vira” um tornado. O que pode acontecer é o ambiente atmosférico associado a um grande sistema favorecer a formação de tempestades severas. Algumas dessas tempestades podem apresentar rotação e, quando existem as condições necessárias, produzir tornados.
Assim, ciclone e tornado podem estar relacionados dentro de uma mesma situação meteorológica, mas continuam sendo fenômenos distintos.
Outro fenômeno que chama muita atenção é a chamada nuvem-funil. Ela aparece como uma formação em formato de cone ou funil descendo da base de uma nuvem de tempestade e está associada a uma circulação de ar.
A principal diferença está no contato com a superfície. Se a circulação não alcança o solo, trata-se de uma nuvem-funil. Quando a circulação alcança a superfície, o fenômeno passa a ser classificado como tornado.
Existe ainda uma particularidade importante: o funil de condensação visível nem sempre precisa parecer tocar completamente o chão para existir um tornado. Se houver circulação atingindo a superfície, levantando poeira ou detritos, por exemplo, o fenômeno já pode estar ocorrendo.
Por isso, somente fotografias ou vídeos nem sempre são suficientes para confirmar um tornado.
Há ainda outro fenômeno capaz de provocar grandes estragos e ser confundido com tornado: o downburst. Nesse caso, não existe uma coluna de ar girando até o solo. O processo ocorre quando uma corrente de ar desce com muita força de dentro de uma tempestade, atinge a superfície e se espalha rapidamente para os lados.
Quando essa corrente descendente afeta uma área relativamente pequena, é chamada de microburst ou microexplosão. O resultado pode ser impressionante: árvores derrubadas, telhados arrancados, postes danificados e outros estragos provocados por rajadas intensas.