DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
Depois de uma quinta-feira (10) marcada por chuva volumosa, céu encoberto e temperaturas mais baixas na maioria das regiões, o Paraná voltou a registrar períodos de sol, calor e sensação de abafamento nesta sexta-feira (11). A mudança chama atenção justamente em um dia no qual o Estado permanece sob risco elevado para tempestades severas.
Em Wenceslau Braz, no Norte Pioneiro, por exemplo, a temperatura chegou aos 27°C no período da tarde, após um dia anterior predominantemente chuvoso e mais frio. Sob o sol, a sensação de calor é ainda mais evidente. O cenário, porém, não significa necessariamente uma melhora definitiva do tempo.
Pelo contrário: em uma atmosfera já carregada de umidade e instabilidade, o aquecimento pode fornecer mais energia para o desenvolvimento das tempestades.
O próprio Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) chamou atenção para esse mecanismo durante os temporais desta semana.
Na tarde desta quinta-feira, ao analisar a abertura do sol no Oeste e Noroeste do Estado, o meteorologista Leonardo Zucuni Furlan já havia explicado que o aquecimento é um ingrediente importante para o desenvolvimento das tempestades.
“O sol voltou a aparecer no final da manhã entre o Oeste e Noroeste, o que favoreceu aquecimento, combustível essencial para formação de tempestades em conjunto com a oferta de umidade”, afirmou o meteorologista.
A observação foi feita especificamente sobre as condições registradas naquele momento no Oeste e Noroeste, onde tempestades fortes posteriormente se desenvolveram. O processo físico descrito pelo meteorologista, no entanto, não é exclusivo dessas regiões: calor e umidade são ingredientes fundamentais para a formação de tempestades convectivas.
O contraste entre dias mais frios e chuvosos e períodos de rápido aquecimento faz parte do cenário meteorológico observado no Paraná nesta semana. O Simepar já havia registrado uma elevação de 5°C a 10°C em apenas 24 horas em diversas áreas do Estado entre os dias 7 e 8, mostrando como as temperaturas estão oscilando rapidamente durante a passagem dos sistemas meteorológicos.
Para setembro, o órgão explica que o Paraná atravessa um período de transição entre inverno e primavera, no qual episódios de frio podem ser rapidamente substituídos por períodos de calor. Segundo o Simepar, a combinação de calor e maior disponibilidade de umidade favorece pancadas de chuva e tempestades, principalmente durante as tardes.
A Climatempo também aponta que, nesta sexta-feira, o Norte Paranaense permanece em condição pré-frontal, com calor e sensação de abafamento, enquanto uma área de baixa pressão e uma nova frente fria mantêm o risco de tempo severo no Estado.
Apesar de funcionar como um dos ingredientes das tempestades, o calor, isoladamente, não permite prever a ocorrência de um temporal severo ou tornado.
Para a formação de supercélulas, por exemplo, é necessária uma combinação mais complexa. Entre os fatores estão grande disponibilidade de umidade, baixa pressão atmosférica, forte contraste de temperatura e diferenças significativas na velocidade e direção dos ventos entre as diferentes camadas da atmosfera, fenômeno conhecido como cisalhamento vertical.
É justamente a presença simultânea desses ingredientes que preocupa nesta sexta-feira. A Climatempo aponta ambiente favorável à formação de supercélulas em áreas do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, com possibilidade de granizo de grande porte, microexplosões, rajadas superiores a 90 km/h, chuva intensa em curto período e, pontualmente, tornados. A avaliação é de que o risco de tornados nesta sexta-feira (11) é maior do que o indicado para quinta-feira (10).
Por isso, períodos de céu aberto e temperaturas elevadas entre uma sequência de dias chuvosos não devem ser interpretados como sinal de que o risco terminou.
Em determinadas situações, o aquecimento da superfície aumenta a energia disponível na atmosfera. Se houver umidade abundante e mecanismos capazes de levantar esse ar quente, além de condições favoráveis dos ventos em altitude, novas células de tempestade podem ganhar força rapidamente.
O cenário exige ainda mais atenção porque a Defesa Civil classifica o nível vermelho como de risco muito alto, correspondente a uma situação meteorológica de grande perigo e intensidade excepcional.