Cidades POSSÍVEL RISCO
Previsão de chuvas intensas alerta para risco de transbordamento do rio Capivari em Jaguariaíva
Defesa Civil afirmou que intensificará o monitoramento, mas que volume previsto não significa que uma nova enchente esteja prestes a acontecer
10/09/2026 15h54 Atualizada há 5 dias
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
Rio Capivari já transborodou em 2016. Foto: Divulgação

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

JAGUARIAÍVA - A previsão de aproximadamente 160 milímetros de chuva em Jaguariaíva até segunda-feira (14) acendeu o alerta para uma possível elevação do rio Capivari. O município já enfrentou uma enchente de grandes proporções há cerca de dez anos, quando o rio transbordou e atingiu diferentes pontos da cidade.

Apesar do volume expressivo previsto para os próximos dias, a Defesa Civil ressalta que ainda não é possível afirmar que o Capivari irá transbordar. Segundo o secretário municipal de Segurança Pública e coordenador da Defesa Civil, Gumercindo Athayde, o cenário exige atenção e acompanhamento permanente, mas não configura, neste momento, uma situação de emergência.

“Um acumulado dessa ordem merece atenção da Defesa Civil, porque chuvas intensas e persistentes podem provocar uma elevação significativa do nível do rio Capivari e, dependendo da distribuição dessas precipitações, eventualmente levar ao transbordamento”, explicou em entrevista à Folha.

De acordo com Athayde, o impacto da chuva não depende apenas do volume total previsto. A intensidade da precipitação em determinados períodos, o acumulado registrado nas horas anteriores e o nível de saturação do solo estão entre os fatores que podem acelerar a elevação do rio.

Caso uma parcela significativa dos 160 milímetros caia em poucas horas, por exemplo, a possibilidade de alagamentos e de uma rápida subida do Capivari torna-se maior. Se a chuva ocorrer de maneira mais distribuída, o comportamento pode ser diferente.

O coordenador informou que a Defesa Civil intensificará o acompanhamento das condições meteorológicas e do nível dos rios durante o período de instabilidade. O trabalho inclui a análise dos boletins emitidos pelo Simepar, dos volumes efetivamente registrados em Jaguariaíva e na região e do comportamento do Capivari.

Athayde não estabeleceu uma cota única de transbordamento. Segundo ele, o nível considerado crítico depende do ponto onde a medição é realizada e da relação entre a altura do rio e as áreas mais baixas que começam a ser atingidas.

“Mais importante do que estabelecer um único número universal é acompanhar continuamente a relação entre a cota do Capivari e as áreas de risco mapeadas no município”, afirmou.

Neste momento, segundo o coordenador, a previsão deve ser tratada como um cenário de atenção e monitoramento. O nível de alerta poderá ser elevado se os volumes previstos forem confirmados, especialmente se houver concentração de chuva em intervalos curtos.

Em uma eventual cheia, as primeiras regiões afetadas seriam aquelas localizadas nas cotas mais baixas, próximas ao leito e às áreas de várzea do Capivari. A extensão dos impactos dependeria da altura alcançada pelo rio.

A Defesa Civil afirma possuir o mapeamento dos pontos suscetíveis a alagamentos e inundações. Essas informações serão utilizadas para orientar as equipes e, se necessário, organizar a retirada preventiva dos moradores.

Athayde destacou que Jaguariaíva está mais preparada do que há dez anos. Conforme o coordenador, a estruturação da Defesa Civil municipal permitiu avanços no monitoramento, na prevenção e na integração entre Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e as secretarias de Saúde, Assistência Social e Obras.

O município também dispõe de planejamento para transporte das famílias, definição de locais de acolhimento e assistência à população caso seja necessária uma evacuação.

Quem vive próximo ao rio deve acompanhar exclusivamente os comunicados oficiais da Prefeitura e da Defesa Civil. Documentos, medicamentos, celulares, carregadores, água e outros itens essenciais devem ser mantidos em um local seguro e de fácil acesso.

Se houver elevação rápida do rio, entrada de água nas residências ou uma ordem de evacuação, a orientação é deixar imediatamente o imóvel e seguir as instruções das equipes de emergência.

A população também não deve atravessar pontos alagados, seja a pé ou de veículo. A profundidade e a força da correnteza podem ser maiores do que aparentam.