DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
SAPOPEMA - A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte da fotógrafa Ana Paula Silveira Cardoso, de 29 anos, encontrada sem vida após cinco dias de buscas no Salto das Orquídeas, em Sapopema, no Norte Pioneiro. De acordo com o inquérito, a queda que resultou na morte da jovem foi acidental e não houve responsabilidade criminal de terceiros. Com isso, nenhuma pessoa foi indiciada.
A conclusão foi divulgada pelo delegado Thiago Luiz dos Santos nesta quarta-feira (26). Ana Paula desapareceu no dia 25 de julho, quando fazia uma trilha acompanhada da amiga Ana Carolyne. O corpo da fotógrafa foi encontrado no dia 30, a 123 metros da queda da maior cachoeira do complexo.
O laudo apontou que Ana Paula morreu por asfixia mecânica decorrente de afogamento.
Durante a investigação, a Polícia Civil buscou esclarecer principalmente as circunstâncias que antecederam a tragédia e se havia eventual responsabilidade de outras pessoas pelo acidente.
Imagens de câmeras de segurança analisadas pela polícia comprovaram que Ana Paula e a amiga assinaram um termo de responsabilidade antes de iniciar a visita. Segundo o delegado, testemunhas ouvidas durante o inquérito também foram unânimes ao afirmar que as duas haviam recebido orientação para não realizar a travessia do rio.
Mensagens analisadas pelos investigadores também descartaram a existência de desavenças entre as amigas que pudessem levantar suspeitas sobre as circunstâncias da queda.
“Entendo que houve essa questão da autocolocação em perigo das vítimas. Uma, infelizmente, veio a óbito, e a outra conseguiu se salvar”, explicou o delegado ao comentar a conclusão do inquérito.
Ana Paula morava em Londrina e trabalhava como fotógrafa. No dia 25 de julho, ela e Ana Carolyne visitavam o Salto das Orquídeas quando decidiram seguir sozinhas em direção a um mirante.
Conforme os relatos prestados à polícia, as duas tentaram atravessar o rio utilizando cordas disponíveis no local. Durante a travessia, Ana Paula perdeu o equilíbrio e foi levada pela forte correnteza. A amiga tentou ajudá-la, mas também acabou sendo arrastada.
As condições do rio naquele dia tornavam a situação ainda mais perigosa. Estimativas apontam que o nível da água estava aproximadamente 40 centímetros acima do normal.
Ana Carolyne conseguiu sobreviver após se agarrar a uma pedra. Ela acabou parando cerca de 500 metros distante do ponto onde ocorreu a queda e permaneceu sozinha na mata desde aproximadamente as 15h do dia 25 até a manhã seguinte.
Durante esse período, tentou enviar mensagens à irmã pedindo ajuda, mas estava sem conexão com a internet e os recados não foram entregues.
A jovem foi encontrada na manhã do dia 26 por um funcionário do Salto das Orquídeas que realizava uma verificação rotineira do nível do rio. O resgate contou com o auxílio de policiais militares.
Após ser socorrida, Ana Carolyne foi levada para um hospital em Cornélio Procópio e posteriormente transferida para Londrina. Os exames identificaram uma fratura na vértebra L2 da coluna.
Ela recebeu alta hospitalar no dia 29 de julho.
A localização de Ana Carolyne deu início a uma grande operação para encontrar Ana Paula. O Corpo de Bombeiros foi informado sobre o desaparecimento e mobilizou equipes a partir de 26 de julho.
Durante cinco dias, a região foi vasculhada com o auxílio de drones equipados com câmera térmica, cães farejadores, mergulhadores, embarcações e equipes terrestres. Voluntários também participaram dos trabalhos.
A complexidade do terreno, a força da correnteza e o volume elevado de água dificultaram as buscas.
Na manhã do dia 30, um drone operado pelo Corpo de Bombeiros identificou o corpo da fotógrafa. Ana Paula estava a aproximadamente 123 metros da queda da principal cachoeira do Salto das Orquídeas, que possui cerca de 45 metros de altura.
A avaliação das equipes era de que o corpo poderia ter ficado preso entre pedras e se tornado visível somente depois da redução do fluxo da água.
Após o resgate, o corpo foi encaminhado à Polícia Científica de Londrina. O velório e o sepultamento foram realizados de forma restrita à família e aos amigos.
Com a análise dos laudos, imagens, mensagens e depoimentos colhidos ao longo da investigação, a Polícia Civil concluiu que a morte ocorreu de maneira acidental e encerrou o inquérito sem indiciamentos.
Com informações de G1 Paraná.