Radar FIM DA INVESTIGAÇÃO
Polícia conclui investigação sobre morte de fotógrafa em cachoeira do Norte Pioneiro
Ana Paula Silveira Cardoso ficou desaparecida por cinco dias após ser arrastada pela correnteza no Salto das Orquídeas, em Sapopema; inquérito concluiu que morte foi acidental e ninguém foi indiciado
27/08/2026 14h05 Atualizada há 13 horas
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte da fotógrafa Ana Paula Silveira Cardoso, de 29 anos. Foto: Divulgação

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

SAPOPEMA - A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte da fotógrafa Ana Paula Silveira Cardoso, de 29 anos, encontrada sem vida após cinco dias de buscas no Salto das Orquídeas, em Sapopema, no Norte Pioneiro. De acordo com o inquérito, a queda que resultou na morte da jovem foi acidental e não houve responsabilidade criminal de terceiros. Com isso, nenhuma pessoa foi indiciada.

A conclusão foi divulgada pelo delegado Thiago Luiz dos Santos nesta quarta-feira (26). Ana Paula desapareceu no dia 25 de julho, quando fazia uma trilha acompanhada da amiga Ana Carolyne. O corpo da fotógrafa foi encontrado no dia 30, a 123 metros da queda da maior cachoeira do complexo.

O laudo apontou que Ana Paula morreu por asfixia mecânica decorrente de afogamento.

Durante a investigação, a Polícia Civil buscou esclarecer principalmente as circunstâncias que antecederam a tragédia e se havia eventual responsabilidade de outras pessoas pelo acidente.

Imagens de câmeras de segurança analisadas pela polícia comprovaram que Ana Paula e a amiga assinaram um termo de responsabilidade antes de iniciar a visita. Segundo o delegado, testemunhas ouvidas durante o inquérito também foram unânimes ao afirmar que as duas haviam recebido orientação para não realizar a travessia do rio.

Mensagens analisadas pelos investigadores também descartaram a existência de desavenças entre as amigas que pudessem levantar suspeitas sobre as circunstâncias da queda.

“Entendo que houve essa questão da autocolocação em perigo das vítimas. Uma, infelizmente, veio a óbito, e a outra conseguiu se salvar”, explicou o delegado ao comentar a conclusão do inquérito.

Travessia terminou em tragédia

Ana Paula morava em Londrina e trabalhava como fotógrafa. No dia 25 de julho, ela e Ana Carolyne visitavam o Salto das Orquídeas quando decidiram seguir sozinhas em direção a um mirante.

Conforme os relatos prestados à polícia, as duas tentaram atravessar o rio utilizando cordas disponíveis no local. Durante a travessia, Ana Paula perdeu o equilíbrio e foi levada pela forte correnteza. A amiga tentou ajudá-la, mas também acabou sendo arrastada.

As condições do rio naquele dia tornavam a situação ainda mais perigosa. Estimativas apontam que o nível da água estava aproximadamente 40 centímetros acima do normal.

Ana Carolyne conseguiu sobreviver após se agarrar a uma pedra. Ela acabou parando cerca de 500 metros distante do ponto onde ocorreu a queda e permaneceu sozinha na mata desde aproximadamente as 15h do dia 25 até a manhã seguinte.

Durante esse período, tentou enviar mensagens à irmã pedindo ajuda, mas estava sem conexão com a internet e os recados não foram entregues.

A jovem foi encontrada na manhã do dia 26 por um funcionário do Salto das Orquídeas que realizava uma verificação rotineira do nível do rio. O resgate contou com o auxílio de policiais militares.

Após ser socorrida, Ana Carolyne foi levada para um hospital em Cornélio Procópio e posteriormente transferida para Londrina. Os exames identificaram uma fratura na vértebra L2 da coluna.

Ela recebeu alta hospitalar no dia 29 de julho.

Cinco dias de buscas

A localização de Ana Carolyne deu início a uma grande operação para encontrar Ana Paula. O Corpo de Bombeiros foi informado sobre o desaparecimento e mobilizou equipes a partir de 26 de julho.

Durante cinco dias, a região foi vasculhada com o auxílio de drones equipados com câmera térmica, cães farejadores, mergulhadores, embarcações e equipes terrestres. Voluntários também participaram dos trabalhos.

A complexidade do terreno, a força da correnteza e o volume elevado de água dificultaram as buscas.

Na manhã do dia 30, um drone operado pelo Corpo de Bombeiros identificou o corpo da fotógrafa. Ana Paula estava a aproximadamente 123 metros da queda da principal cachoeira do Salto das Orquídeas, que possui cerca de 45 metros de altura.

A avaliação das equipes era de que o corpo poderia ter ficado preso entre pedras e se tornado visível somente depois da redução do fluxo da água.

Após o resgate, o corpo foi encaminhado à Polícia Científica de Londrina. O velório e o sepultamento foram realizados de forma restrita à família e aos amigos.

Com a análise dos laudos, imagens, mensagens e depoimentos colhidos ao longo da investigação, a Polícia Civil concluiu que a morte ocorreu de maneira acidental e encerrou o inquérito sem indiciamentos.

Com informações de G1 Paraná.