Radar SEIS CRIANÇAS MORTAS
Médica é denunciada por homicídio culposo após morte de seis crianças em UTI no Paraná
MPPR aponta grave contaminação por bactérias multirresistentes e afirma que falhas nos protocolos de higiene e biossegurança contribuíram para mortes registradas em 2024
19/08/2026 11h37
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
Imagem ilustrativa. Foto: Reprodução/D'Ponta News

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

Uma médica que exercia a direção técnica da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica de um hospital de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, foi denunciada criminalmente pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) pela morte de seis crianças e recém-nascidos. Ela é acusada de seis homicídios culposos, quando não há intenção de matar.

A denúncia foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul na última sexta-feira (14) e recebida pelo Poder Judiciário nesta segunda-feira (17).

As seis mortes aconteceram entre maio e julho de 2024 e, conforme aponta a denúncia, estão relacionadas a uma grave contaminação dentro da UTI Pediátrica por bactérias multirresistentes. As vítimas teriam desenvolvido choque séptico e falência múltipla de órgãos.

De acordo com o Ministério Público, a médica, na condição de responsável pela direção técnica da unidade, teria deixado de observar regras próprias da profissão e agido com grave negligência ao não fiscalizar e garantir o cumprimento de protocolos básicos de assepsia e biossegurança.

Luvas reutilizadas e pacientes sem banho

Entre as situações descritas pelo MPPR estão práticas consideradas graves dentro da UTI. Segundo a acusação, integrantes da equipe técnica reutilizavam reiteradamente luvas de procedimento entre pacientes diferentes, aumentando o risco de contaminação cruzada.

A denúncia também aponta falta de higiene, incluindo a privação de banhos dos pacientes, além do manuseio inadequado de tubos utilizados para intubação e de acessos venosos.

Para o Ministério Público, a ausência de fiscalização e de medidas capazes de interromper essas práticas teria permitido a manutenção de um ambiente favorável à disseminação das bactérias entre pacientes extremamente vulneráveis.

A responsabilização atribuída à médica é culposa. Isso significa que a Promotoria não sustenta que a profissional tenha provocado intencionalmente as mortes, mas que teria agido de forma negligente no cumprimento das responsabilidades relacionadas à função que exercia.

Com o recebimento da denúncia pelo Judiciário, a acusação passa a tramitar judicialmente. A médica terá direito à defesa e ao contraditório durante o processo, e as responsabilidades apontadas pelo Ministério Público ainda serão analisadas pela Justiça.

Além da responsabilização criminal, o MPPR pediu que seja estabelecido um valor mínimo de R$ 50 mil de reparação financeira para cada uma das seis famílias afetadas.

Somados, os valores mínimos requeridos chegam a R$ 300 mil. A eventual condenação, assim como a fixação da reparação financeira, dependerá do julgamento do caso pela Justiça.

Com informações de D’Ponta News.