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Suspeita de propina e corrupção: entenda por que policiais foram afastados em Wenceslau Braz, Jaguariaíva e região
Gaeco investiga suposto esquema envolvendo pagamentos para evitar fiscalizações e adulteração de registros de acidentes; 12 policiais rodoviários estaduais foram afastados cautelarmente
14/08/2026 10h08
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
Foto: IA - Folha Extra

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

O afastamento de 12 policiais rodoviários estaduais durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) colocou municípios dos Campos Gerais e do Norte Pioneiro no centro de uma investigação sobre suspeitas de corrupção nas rodovias do Paraná. Entre as cidades onde foram cumpridas ordens judiciais estão Wenceslau Braz, Jaguariaíva, Arapoti, Ibaiti, Joaquim Távora e outras localidades da região.

A medida ocorreu nesta quinta-feira (13), durante a segunda fase da Operação Via Pix, conduzida pelo Núcleo de Ponta Grossa do Gaeco, do Ministério Público do Paraná (MPPR), com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.

Mas o que está por trás do afastamento dos agentes?

Segundo o Ministério Público, a investigação apura indícios de que policiais rodoviários estaduais fariam parte de uma organização criminosa que manteria acordos com empresários dos setores de transporte de cargas e de madeira. A suspeita é de que pagamentos periódicos fossem realizados aos agentes públicos para que determinadas empresas evitassem fiscalizações nas rodovias estaduais.

Em outras palavras, o Gaeco investiga um possível esquema de pagamento de propina em troca de favorecimento durante a fiscalização rodoviária.

O afastamento dos policiais é cautelar e foi autorizado pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual. A medida não representa condenação nem significa que os investigados tenham sido considerados culpados.

Suspeita vai além das fiscalizações

Outra frente considerada importante pelo Gaeco envolve acidentes de trânsito.

Conforme as apurações, também existem suspeitas de recebimento de vantagens indevidas para a adulteração de informações em boletins de ocorrência. As modificações teriam como objetivo beneficiar empresas em procedimentos perante o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) e companhias seguradoras.

A investigação, portanto, busca esclarecer tanto os supostos pagamentos para evitar fiscalizações quanto possíveis favorecimentos relacionados aos registros oficiais de acidentes.

A segunda fase da Via Pix resultou no cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal, além do afastamento dos 12 policiais de suas funções operacionais.

As ordens foram cumpridas em Ponta Grossa, Castro, Jaguariaíva, Ibaiti, Arapoti, Wenceslau Braz, Guarapuava, Joaquim Távora, Curiúva, Sengés e Guapirama.

Durante as buscas, cinco pessoas acabaram presas em flagrante. Quatro prisões ocorreram por posse irregular de armas e munições, enquanto uma pessoa foi detida por suspeita de obstrução da Justiça.

Caso é investigado desde 2025

A Operação Via Pix é resultado de uma investigação iniciada em março de 2025. A primeira ofensiva ocorreu em outubro daquele ano, quando foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e determinado o afastamento de sete policiais rodoviários estaduais.

A partir dos elementos reunidos naquela etapa, as investigações avançaram e passaram a buscar informações sobre a possível participação de outros agentes públicos e empresários no esquema.

Foi esse aprofundamento que levou à segunda fase deflagrada nesta semana.

Investigação também chegou ao tráfico de drogas

As apurações ainda deram origem a uma investigação paralela em Jaguariaíva. Durante a operação, o Gaeco cumpriu três mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara de Garantias do município, em residências de três investigados.

Segundo o Ministério Público, a medida busca desarticular um suposto esquema de tráfico de drogas identificado a partir das investigações da primeira fase da Operação Via Pix.

A suspeita é de que o grupo envolvido com o tráfico teria contado com o acobertamento de um dos policiais rodoviários estaduais investigados no caso principal.

Com a nova etapa, o Gaeco pretende reunir mais provas e delimitar a participação de cada investigado. As suspeitas envolvendo propina, favorecimento em fiscalizações, adulteração de registros e eventual participação em organização criminosa continuam sob apuração, e os policiais afastados permanecem na condição de investigados.