DA REDAÇÃO/PÁGINA 1 NEWS - FOLHA EXTRA
A maioria dos municípios dos Campos Gerais ainda apresenta fragilidades na estrutura disponível para enfrentar situações de desastre. Dados do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) mostram que apenas seis das 19 cidades da região, o equivalente a 32% do total, alcançaram nível considerado estruturado na avaliação.
O levantamento foi realizado por meio do Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo (Progov) e ganha relevância diante da ocorrência de eventos climáticos extremos na região, como o tornado que atingiu Piraí do Sul no último fim de semana.
Segundo os dados declarados pelas próprias prefeituras, Carambeí, Palmeira, Porto Amazonas, Reserva, Arapoti e Telêmaco Borba formam o grupo de municípios considerados estruturados. Outras sete cidades, entre elas Piraí do Sul, aparecem em uma faixa intermediária, enquanto seis foram classificadas em situação crítica.
Entre os casos que mais chamam atenção está Imbaú, que não pontuou nos critérios considerados pelo levantamento. Ipiranga, por sua vez, atende a apenas 10% dos itens avaliados.
A análise revela que algumas das maiores deficiências estão em estruturas fundamentais para os primeiros momentos de uma ocorrência grave.
Entre os pontos de maior vulnerabilidade identificados na região estão a disponibilidade de sistemas de alerta antecipado, meios para chegar a áreas rurais ou de difícil acesso e fontes alternativas de energia elétrica.
De acordo com o levantamento, apenas dois municípios possuem gerador elétrico próprio. Somente quatro realizaram simulado de alerta durante o período de referência e apenas dois informaram possuir um plano formalizado de recuperação pós-desastre.
São estruturas que podem fazer diferença quando temporais, enchentes, vendavais ou tornados comprometem estradas, interrompem o fornecimento de energia e deixam comunidades isoladas.
No caso de Piraí do Sul, a avaliação aponta uma série de fragilidades. A ficha do município não registra sistema próprio de alerta, estação meteorológica, veículo destinado ao atendimento em áreas remotas ou gerador elétrico.
O município aparece no grupo intermediário da avaliação regional. As informações ganham atenção após os danos provocados pelo tornado que atingiu a cidade no último fim de semana e exigiu mobilização das equipes de atendimento.
Os dados do Progov são declaratórios, ou seja, têm como base informações fornecidas pelas próprias administrações municipais ao Tribunal de Contas.
O Progov foi criado pelo TCE-PR para ampliar a análise das administrações municipais. Além dos dados financeiros tradicionalmente considerados na prestação de contas, o programa busca medir a atuação dos governos e a efetividade dos serviços oferecidos à população.
Na área ambiental, a iniciativa envolve aproximadamente 2 mil servidores municipais e reúne mais de uma centena de questões relacionadas a temas como Defesa Civil, planejamento urbano, drenagem, saneamento, resíduos sólidos e adaptação às mudanças climáticas.
Entre os pontos analisados estão a existência de planos de contingência, mapeamento de áreas de risco, sistemas de alerta, ações para limpeza de bueiros e estruturas destinadas ao atendimento da população atingida por desastres.
Ao longo deste ano, cerca de cem oficinas foram realizadas no Paraná para orientar e aproximar servidores municipais das equipes do Tribunal de Contas.
As respostas fornecidas pelas prefeituras são públicas e podem ser consultadas pela população. Uma nova avaliação da situação dos municípios está prevista para novembro.
Confira a situação de cada município na tabela abaixo