Redação - Folha Extra
SÃO JOSÉ DA BOA VISTA - Uma descoberta arqueológica realizada há mais de 50 anos em São José da Boa Vista, no Norte Pioneiro do Paraná, revelou importantes vestígios da presença indígena na região. Em 1973, durante o trabalho em uma lavoura, foram encontradas grandes urnas funerárias associadas pela arqueologia à Tradição Tupiguarani.
Uma das urnas continha restos humanos e, inicialmente, o material foi levado até a delegacia de Wenceslau Braz. Naquele momento, surgiu a suspeita de que os ossos pudessem estar relacionados a algum crime. A situação foi esclarecida depois que o historiador Joaquim Gil reconheceu que se tratava de um vestígio arqueológico.
A descoberta despertou o interesse de pesquisadores ligados ao Centro de Estudos e Pesquisas Arqueológicas da Universidade Federal do Paraná (CEPA/UFPR). Entre os especialistas envolvidos nas pesquisas estava o arqueólogo Igor Chmyz, um dos nomes de referência nos estudos arqueológicos do Paraná.
O local passou a ser identificado como sítio arqueológico Vitorino 3. As pesquisas realizadas posteriormente indicaram que as urnas faziam parte de um contexto funerário indígena e ajudaram a identificar evidências de ocupação humana na área.
Os estudos também mostraram que São José da Boa Vista está inserido em uma região de importância arqueológica, marcada pela presença de diferentes povos e tradições ao longo de milhares de anos. As proximidades dos rios Itararé e Pescaria concentram registros que ajudam a compreender a ocupação indígena do território antes da formação dos municípios atuais.
A história do achado também preservou registros fotográficos. Parte das imagens produzidas durante o episódio foi mantida no acervo da família Gil. As fotografias registram momentos relacionados à descoberta e permitem identificar personagens envolvidos em uma investigação que ganhou importância para a arqueologia do Norte Pioneiro.
Mais de cinco décadas depois, as urnas encontradas em São José da Boa Vista permanecem como registros materiais da presença dos povos indígenas na região. Os vestígios ajudam a reconstruir parte da história anterior à formação de São José do Cristianismo e, posteriormente, de São José da Boa Vista, ampliando o conhecimento sobre a ocupação humana no Norte Pioneiro do Paraná.