DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
ABATIÁ - O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou criminalmente um casal investigado por arquitetar o assassinato de uma servidora pública do município de Abatiá, no Norte Pioneiro do Paraná. A denúncia foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Ribeirão do Pinhal e aponta que os investigados responderão pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, perseguição e coação no curso do processo.
Segundo o MPPR, a motivação do crime estaria ligada ao descontentamento do casal com a atuação da rede de proteção à infância e à adolescência de Abatiá em relação aos próprios filhos. A mulher denunciada permanece presa preventivamente enquanto o caso segue em tramitação na Justiça.
De acordo com a investigação, entre os meses de maio e junho de 2026, os denunciados elaboraram um plano para matar a servidora pública. Conforme a denúncia, eles chegaram a oferecer R$ 3 mil para que um terceiro executasse o homicídio.
O Ministério Público sustenta que o crime seria cometido mediante promessa de recompensa, por motivo considerado fútil e com o uso de recursos que dificultariam qualquer possibilidade de defesa da vítima, já que toda a ação teria sido previamente planejada.
A execução do plano, entretanto, acabou frustrada por uma atitude decisiva do filho adolescente da denunciada. Conforme a investigação, o jovem descobriu a intenção dos pais e resolveu alertar a servidora pública sobre o risco que ela corria. A informação permitiu que a vítima procurasse as autoridades e registrasse um boletim de ocorrência.
Após a revelação do plano e o início da investigação policial, a pessoa que teria sido contratada para cometer o homicídio desistiu da execução do crime, impedindo que a ação fosse consumada.
Além da acusação por tentativa de homicídio qualificado, o Ministério Público também denunciou o casal pelo crime de perseguição.
Segundo a investigação, durante aproximadamente dois meses, os investigados monitoraram de forma constante quatro servidores públicos ligados à rede de proteção do município. A denúncia afirma que eles acompanhavam a rotina das vítimas e coletavam imagens pessoais por meio da internet, invadindo a privacidade e restringindo a liberdade dos servidores.
Outro ponto considerado grave pelo Ministério Público envolve a suposta tentativa de impedir que o caso chegasse às autoridades.
Conforme a denúncia, o casal teria ameaçado de morte o próprio filho adolescente para que ele não revelasse o plano criminoso. As investigações apontam que as ameaças teriam sido feitas inclusive com o uso de uma faca, caracterizando o crime de coação no curso do processo.
Na ação penal, o MPPR pede que os denunciados sejam condenados por todos os crimes atribuídos a eles. O órgão também solicitou à Justiça a fixação de um valor mínimo de R$ 100 mil para reparação dos danos causados às vítimas.
Agora, caberá ao Poder Judiciário analisar a denúncia oferecida pelo Ministério Público e decidir sobre o recebimento da ação penal. Caso a denúncia seja aceita, o casal passará à condição de réu e responderá formalmente pelos crimes durante o processo judicial.