Radar TRAGÉDIA
Jovem morre após passar mal durante ritual tradicional em escola de aviação no Paraná
Gustavo Henrique de Lara, de 27 anos, participava do chamado ‘banho de óleo’, cerimônia realizada após o primeiro voo solo do piloto
17/07/2026 10h53
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
Foto: Reprodução/GCM Online

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

Um jovem de 27 anos morreu após passar mal durante um ritual conhecido como “banho de óleo” em uma escola de aviação de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. A ocorrência foi registrada na tarde desta quinta-feira (16).

A vítima foi identificada como Gustavo Henrique de Lara. Segundo a Polícia Civil, ele participava da tradição realizada após a conclusão de uma etapa da formação aeronáutica quando uma substância oleosa foi aplicada sobre seu corpo.

Pouco depois, Gustavo apresentou uma reação e sofreu um grave problema de saúde. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e prestou os primeiros socorros ainda no local.

O jovem foi encaminhado ao hospital, mas não resistiu. Conforme as informações divulgadas, foram realizadas tentativas de reanimação, porém a morte acabou sendo confirmada.

Informações sobre o velório e o sepultamento ainda devem ser divulgadas pela família.

Responsável pelo ritual foi preso

A pessoa apontada como responsável pela aplicação da substância foi identificada e conduzida à unidade policial. Em depoimento, ela admitiu ter realizado o chamado “banho de óleo”.

Diante dos elementos reunidos inicialmente, a Polícia Civil ratificou a prisão pelo crime de homicídio culposo, quando não existe intenção de matar. Até o momento, segundo a instituição, não foram encontrados indícios de que a pessoa pretendia provocar a morte de Gustavo.

A classificação jurídica, entretanto, é provisória e poderá ser alterada conforme o avanço das investigações.

Como o homicídio culposo permite o arbitramento de fiança pela autoridade policial, foi estipulado o valor de R$ 3 mil. A Polícia Civil ressaltou que a quantia corresponde a uma medida processual e não representa indenização, antecipação de pena ou atribuição de valor à vida da vítima.

Exames devem apontar causa da morte

A investigação busca esclarecer toda a dinâmica do ritual e determinar se existe relação direta entre a aplicação da substância e a morte do jovem.

Entre os pontos apurados estão a composição do material utilizado, a quantidade aplicada, as partes do corpo atingidas e as condições em que o “banho de óleo” foi realizado.

Foram solicitados exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial. Imagens, documentos e outros elementos relacionados ao evento também deverão ser preservados e analisados.

Testemunhas, familiares e demais pessoas que estavam presentes serão ouvidos. O objetivo é esclarecer a participação de cada envolvido e individualizar eventuais responsabilidades.

O que é o ‘banho de óleo’

O “banho de óleo” é uma tradição adotada por parte da comunidade aeronáutica para marcar o primeiro voo solo ou a conclusão de uma etapa da formação de um piloto.

O ritual é tratado como uma espécie de “batismo” e costuma reunir colegas, amigos e familiares. A sujeira provocada pela substância simbolizaria o nascimento de um novo piloto e o início de sua trajetória na aviação.

Apesar da tradição, a prática não integra oficialmente a formação de pilotos e não possui regulamentação específica das autoridades do setor. A maneira como a celebração é conduzida também pode variar entre escolas e instituições.

No caso de Ponta Grossa, será a perícia que deverá apontar qual substância foi utilizada e se sua aplicação provocou ou contribuiu para a morte de Gustavo.

Com informações de A Rede e GCM Online.