DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
IBAITI - Moradora de Ibaiti e mãe de dois filhos, sendo um deles autista de nível 2, Franciely Almeida encontrou apoio em uma pessoa que conhece de perto a dor causada pelo câncer: Joelson Veloso, pai da influenciadora Isabel Veloso, que comoveu o Brasil ao compartilhar sua batalha contra a doença antes de morrer. Diagnosticada com um câncer raro no intestino em agosto de 2025, Franciely transformou a própria trajetória em uma mensagem de esperança, mostrando nas redes sociais que a vida não para após o diagnóstico.
Aos 36 anos, a enfermeira viu sua rotina mudar completamente. Entre consultas, exames, viagens para tratamento e as incertezas que acompanham a doença, ela precisou aprender a conviver com uma nova realidade sem deixar de lado os papéis mais importantes de sua vida: ser mãe, esposa e o principal apoio de sua família.
"Como eu vou ensinar meus filhos a serem fortes na vida se eu não conseguir ser?", questiona.
O diagnóstico veio após alguns dias de dores e inchaços constantes. Inicialmente, os sintomas chegaram a ser associados ao estresse e ao sistema nervoso. No entanto, o histórico familiar e a persistência das dores fizeram Franciely buscar novas opiniões médicas. Após exames mais aprofundados, veio a confirmação: ela estava com um Tumor Neuroendócrino (TNE), um tipo raro de câncer intestinal.
Desde então, a vida passou a ser dividida entre o tratamento e a tentativa de manter a normalidade dentro de casa. Casada e mãe de dois meninos, um deles diagnosticado com autismo nível 2 de suporte, ela precisou interromper parte de suas atividades profissionais, o que também trouxe impactos financeiros para a família.
Antes do diagnóstico, Franciely trabalhava em diferentes frentes. Além de atuar na área da enfermagem, foi a primeira motorista do aplicativo PopMobi em Ibaiti e também ajudava nos negócios da família, que incluem uma hamburgueria e a venda de assados aos fins de semana. Com o avanço do tratamento e os efeitos da quimioterapia, porém, algumas atividades precisaram ser deixadas de lado.
"As quimioterapias começaram a me causar esquecimentos. Tive que parar de trabalhar e foi aí que nossa renda caiu bastante", relata.
Para ajudar a custear despesas relacionadas ao tratamento, a família passou a promover rifas e campanhas nas redes sociais. Segundo Franciely, apesar de parte do tratamento ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), existem diversos gastos extras, como medicamentos específicos, alimentação diferenciada, deslocamentos e aplicações que nem sempre são totalmente cobertas.
Foi justamente nesse período que surgiu uma aproximação ainda maior com Joelson Veloso. Admiradora da trajetória de Isabel Veloso desde antes de receber o diagnóstico, Franciely conta que acompanhava as publicações da influenciadora e chegou a trocar mensagens com ela.
"Ela sempre me chamou atenção. Quando conversei com a Isabel, ela me disse uma coisa que nunca esqueci: se o resultado desse exame for positivo, me prometa que você vai continuar sorrindo", lembra.
Após a morte de Isabel, o contato com Joelson se fortaleceu. Em busca de apoio para divulgar uma das rifas, Franciely enviou uma mensagem ao pai da influenciadora, que prontamente respondeu. Desde então, os dois mantêm contato pelas redes sociais e planejam uma entrevista para falar sobre a realidade enfrentada por pacientes oncológicos. A entrevista aconteceria nesta quarta-feira (08), mas por problemas técnicos, foi adiada.
Para ela, mostrar sua rotina também é uma forma de conscientizar as pessoas sobre o câncer. "O povo acha que a vida acaba quando a gente recebe o diagnóstico. Não acaba. A gente continua sendo mãe, esposa, filha. A gente continua vivendo", afirma.
A fé também se tornou um dos principais pilares durante o tratamento. Devota de Nossa Senhora, Franciely acredita que a espiritualidade tem sido fundamental para enfrentar os momentos mais difíceis.
"Eu creio que Deus não me deu dois filhos para depois me abandonar. Por mais difícil que seja, nunca podemos perder a fé."
Entre os desafios do tratamento e os sonhos de voltar a trabalhar, ela segue usando as redes sociais para compartilhar sua experiência e levar uma mensagem de esperança para outras pessoas que enfrentam a mesma batalha.
"Na vida ninguém faz nada sozinho. Se a gente consegue ajudar alguém, devemos ajudar. E se não conseguimos, também não temos o direito de atrapalhar."