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Esposa de acusado de mutilar cachorro em Wenceslau Braz diz que prisão ocorreu “sem provas”
Em entrevista exclusiva, a esposa afirmou que o marido foi preso injustamente, enquanto a defesa sustenta que a decisão se baseou em suposições e que não existem provas concretas que o liguem ao crime
02/07/2026 11h43
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
Maily em entrevista com a reportagem da Folha. Foto: Folha Extra

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

WENCESLAU BRAZ - A prisão preventiva do homem investigado por suspeita de mutilar um cachorro em Wenceslau Braz, caso que gerou grande repercussão e indignação na região, ganhou um novo capítulo. Em entrevista exclusiva à reportagem da Folha, a esposa do acusado falou pela primeira vez sobre o caso e afirmou que o marido é inocente. Com base nas investigações da defesa, ela contestou a prisão preventiva e alegou que não existem provas concretas que o vinculem ao crime. O advogado sustentou que o acusado sempre esteve à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

"Têm as denúncias, mas são denúncias de vizinhas que disseram, inclusive está no processo, que acham que foi o meu marido. A terceira denúncia é de outra vizinha que sabe que é ele porque as outras disseram"

Durante a entrevista, Maily Oliveira afirmou que o marido, Alex dos Santos, nunca tentou fugir e que a família foi surpreendida com a prisão. Segundo ela, o investigado compareceu espontaneamente à Delegacia de Polícia Civil de Wenceslau Braz após ser intimado para prestar esclarecimentos e teve a prisão preventiva decretada. A mulher também afirmou acreditar que o companheiro foi preso injustamente e disse confiar que a inocência dele será comprovada ao longo do processo.

O advogado Renan de Oliveira afirmou que a defesa foi constituída na segunda-feira (29), data em que o investigado compareceu à delegacia. Segundo ele, a prisão causou "estranheza", pois o cliente não estaria foragido e teria permanecido à disposição das autoridades desde que foi intimado.

Esposa detalha o que aconteceu desde o início: “ele estava trabalhando no dia”

O caso ganhou repercussão entre o final da tarde e o início da noite de 11 de junho, uma quinta-feira. Na ocasião, moradores relataram ter visto o cachorro ferido e sangrando pelas ruas do bairro. Pouco depois, mensagens começaram a circular em grupos de WhatsApp, dando início a uma série de boatos sobre o caso.

"Eu estava na casa da minha sogra, e o Alex estava trabalhando. Naquele dia, ele chegou por volta das 20h30. Alguns vizinhos chegaram a me contar meio por cima que viram o cachorro ensanguentado na vila. Quando cheguei em casa, comentei com meu marido, mas comentei como uma notícia comum. Eu não imaginava que iriam acusá-lo de ter feito isso", relatou Maily.

No entanto, conforme as mensagens se espalhavam, boatos passaram a apontar Alex como o suposto autor do crime. Segundo Maily, a família sequer percebeu, em um primeiro momento, que as acusações eram direcionadas ao marido. "No começo, não sabíamos que era ele, porque todo mundo conhece ele como Alequinho, e estavam falando que era um tal de 'Boiadeiro'. Então, não fazíamos ideia de que era dele que estavam falando", relatou.

Poucos dias depois, segundo Maily, a família descobriu que as acusações nas redes sociais eram direcionadas a Alex. Ela afirma que, a partir de então, passaram a receber ameaças de invasão à residência e de manifestações em frente ao imóvel.

Ainda de acordo com a esposa, na sexta-feira (26), equipes policiais estiveram na casa da família e também na residência do pai de Alex à procura do investigado. "Durante o dia, fomos levar minha sogra em Siqueira Campos para resolver algo relacionado à aposentadoria dela, porque o banco aqui da cidade fechou. Eles entraram na minha casa, entraram na casa do meu sogro atrás dele, como se ele fosse um fugitivo, como se estivesse fugindo, mas não estava", afirmou.

Maily relatou que, como Alex não estava em nenhum dos endereços, os policiais entraram em contato com ele por telefone. Segundo ela, o investigado pediu que fosse expedida uma intimação para que pudesse comparecer espontaneamente à Delegacia de Polícia Civil de Wenceslau Braz, pois até então, de acordo com a defesa, não havia nenhum documento sobre isso. Ainda naquela noite, um oficial entregou a intimação, determinando que ele se apresentasse na manhã da segunda-feira (29) para prestar esclarecimentos sobre o caso.

O advogado Renan de Oliveira afirmou que acompanhou Alex até a Delegacia de Polícia Civil de Wenceslau Braz na manhã de segunda-feira, quando ele compareceu para prestar esclarecimentos. Na delegacia, o investigado recebeu voz de prisão preventiva.

"Nos apresentamos na segunda-feira, às 09h30, e, em seguida, já lhe foi dada voz de prisão. Mas não havia nenhum indício mínimo de autoria ou materialidade que comprovasse que ele fez isso. Ninguém viu meu cliente na cena do crime, até porque ele estava trabalhando em um sítio, e nós vamos provar isso no decorrer do processo", afirmou.

Durante a entrevista, Maily também disse que, durante seu depoimento, ouviu de um dos responsáveis pela oitiva que não havia provas concretas contra o marido. Segundo ela, o caso é sustentado por denúncias e relatos de moradores.

"Eles falaram que não existem provas concretas. Têm as denúncias, mas são denúncias de vizinhas que disseram, inclusive está no processo, que acham que foi o meu marido. A terceira denúncia é de outra vizinha que sabe que é ele porque as outras disseram", relatou.

A esposa também negou uma das informações que circulou nos primeiros dias da investigação. Na primeira reportagem publicada pela Folha sobre o caso, em 15 de junho, moradores relataram que a possível motivação do crime seria uma tentativa do cachorro de cruzar com as cachorras de Alex. Maily, no entanto, contestou essa versão.

"Minhas cachorras ficam presas e nem no cio estavam. Como falei, meu esposo estava trabalhando e eu estava em casa. Não existem provas que mostrem o contrário", declarou.

Habeas corpus e pedido de liberdade

Além de questionar os fundamentos da prisão preventiva, Renan de Oliveira afirmou que a defesa já adotou as primeiras medidas judiciais para tentar reverter a decisão. Segundo ele, foi impetrado um habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), além de um pedido para que a prisão seja substituída por medidas cautelares, permitindo que Alex responda ao processo em liberdade enquanto o caso segue sendo apurado.

O advogado também criticou a repercussão do caso nas redes sociais e afirmou que a pressão da opinião pública não pode substituir a produção de provas durante a investigação. Segundo Renan, a defesa não pretende discutir a gravidade dos maus-tratos a animais, mas sustenta que qualquer responsabilização deve ocorrer com base em elementos concretos. "Quem faz mal a cachorro ou a pessoas deve ser punido. Mas a presunção de inocência é um princípio do qual essa defesa não vai abrir mão, e vamos demonstrar ao final do processo que o acusado é inocente", declarou.