Campos Gerais DESCOBERTA HISTÓRICA
Mais antiga que os dinossauros: nova espécie de animal é descoberta nos Campos Gerais
Nova espécie de molusco encontrada em Ponta Grossa foi nomeada de Actinopteria grahni, em homenagem a professor falecido. Descoberta pode gerar interesse para o setor produtivo.
09/06/2026 11h41 Atualizada há 2 dias
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO COM G1 PARANÁ
Nova espécie de molusco é descoberta no Paraná em fóssil mais antigo que os dinossauros — Foto: André Packer/UEPG

DA REDAÇÃO/G1 PARANÁ - FOLHA EXTRA

Uma nova espécie de animal foi descoberta em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, após a análise de um fóssil de 400 milhões de anos – ou seja, mais antigo que os dinossauros, que surgiram há menos de 250 milhões de anos.

Trata-se de um molusco marinho, do gênero Actinopteria. Ele foi chamado de Actinopteria grahni, em homenagem a um professor sueco que morou no Brasil e contribuiu com o estudo de fósseis na região da cidade. 

A descoberta foi feita pelo professor Elvio Pinto Bosetti e pelo aluno do doutorado em Geografia Kevin William Richter, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), e publicada no Historical Biology, periódico científico de Paleobiologia do Reino Unido.

O fóssil que permitiu a identificação da nova espécie foi encontrado em um sítio paleontológico localizado no Jardim Giana, conhecido como Curva 2 – um afloramento rico em fósseis já conhecido desde os anos 80.

Os pesquisadores explicam que exemplares do Actinopteria langei – um molusco do mesmo gênero e com grande semelhança com a nova espécie – já haviam sido encontrados nesta região de Ponta Grossa. Inicialmente, a proposta era encontrar mais exemplares deste molusco.

“O Kevin decidiu que faria um artigo com esses bichos. Ele falou: vou voltar lá no campo onde vocês encontraram e vou procurar mais. Ele achou mais uns 20. Nesses 20, veio uma espécie que o especialista do Museu Nacional disse: olha, isso aqui é uma espécie nova. [...] Encontrar a espécie é sorte, né? Nós mais ou menos sabemos onde procurar, mas encontrar um bicho raro é sorte”, afirma o professor Elvio.

O professor complementa que a maioria dos fósseis são fruto de catástrofes, e que a região de Ponta Grossa foi fundo de mar e integrava a bacia do Paraná. Eram 1,6 milhão de quilômetros quadrados, da Argentina até o Tocantins - e, em Ponta Grossa, as camadas ficaram preservadas.

"Você tem o período devoniano, de 400 milhões de anos, que é de um mar marcado por tempestades. Essas tempestades que fossilizam, matam a vida e fica o registro”, explica o professor Elvio.

Os primeiros registros de espécies Actinopteria na região foram realizados na década de 60, pelo paleontólogo Setembrino Petri. Com a nova descoberta, o número de espécimes conhecidos aumenta e, segundo os pesquisadores, permite melhor compreensão da fauna e dos padrões de dispersão entre bacias sedimentares.

“Do ponto de vista paleoecológico, o estudo permitiu interpretar que essas espécies viviam em ambientes marinhos rasos e parcialmente enterradas no substrato, apresentando adaptações relacionadas a esses paleoambientes”, explica Kevin.

Com o avanço da pesquisa, Elvio e Kevin decidiram reforçar a equipe. O professor Sandro Scheffer, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, especializado em taxonomia e classificação, integrou o trabalho. Já o professor Renato Ghilardi e seu aluno de pós-doutorado Victor Rodrigues Ribeiro, ambos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, também contribuíram na parte de paleografia e distribuição das espécies na América do Sul.

O fóssil, em breve, passará a integrar o acervo do Museu de Ciências Naturais (MCN) da UEPG.