DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
IBAITI - Uma investigação do Ministério Público do Paraná (MPPR) revelou um “grave e sistemático quadro de violações de direitos humanos” na Casa Lar de Ibaiti, no Norte Pioneiro, envolvendo maus-tratos contra crianças e adolescentes acolhidos, envolvendo dosagem de remédios aumentada, violência física e psicológica. A pedido do órgão, a Justiça determinou a intervenção imediata na instituição.
A decisão foi expedida pela Vara da Infância e Juventude da comarca no último domingo (24) e atende a uma ação civil pública proposta pela 1ª Promotoria de Justiça de Ibaiti.
Segundo o MPPR, as investigações começaram após denúncias feitas por acolhidos e ex-funcionários da entidade. Os relatos apontaram uma rotina de violência física, psicológica e institucional dentro da unidade, que deveria justamente garantir proteção e cuidado às vítimas em situação de vulnerabilidade.
De acordo com a Promotoria, as crianças e adolescentes eram submetidos a castigos físicos, humilhações públicas, ameaças e isolamento punitivo em um chamado “quarto escuro”. A investigação também aponta restrições ao uso de brinquedos, alimentação em horários inadequados para o desenvolvimento infantil e até privação de sono, com crianças sendo acordadas compulsoriamente durante a madrugada.
Outro ponto considerado extremamente grave envolve o uso irregular de medicamentos psicotrópicos. Conforme o MP, funcionários aumentariam doses de remédios sem prescrição médica ou supervisão profissional, supostamente para facilitar o controle comportamental dos acolhidos diante da sobrecarga das cuidadoras.
As investigações ainda indicam que a presidente e fundadora da instituição e a coordenadora pedagógica, mãe e filha, tinham conhecimento direto das práticas denunciadas. Segundo o Ministério Público, ambas monitoravam a rotina da Casa Lar por meio de câmeras de segurança e participavam das decisões sobre punições e métodos disciplinares aplicados às crianças.
Diante da gravidade do caso, a Justiça determinou a interdição provisória da entidade e a suspensão imediata das atividades de acolhimento institucional. As responsáveis foram afastadas das funções de direção e coordenação e também ficaram proibidas de manter contato com os acolhidos e funcionários da unidade.
A decisão judicial ainda determina que a Secretaria Municipal de Assistência Social nomeie um interventor judicial para assumir temporariamente a gestão da instituição. Além disso, todas as crianças e adolescentes acolhidos deverão ser transferidos imediatamente para outros serviços de acolhimento familiar ou institucional.
O caso segue sendo investigado pelo Ministério Público.