Radar OPERAÇÃO DUBLÊ
Polícia investiga lavagem de dinheiro envolvendo as Lojas Havan em cidade dos Campos Gerais
Ação tem como objetivo reunir provas que ajudem a esclarecer o funcionamento do grupo investigado e identificar outros possíveis envolvidos. Suspeitos foram presos em Ponta Grossa
26/03/2026 09h44 Atualizada há 3 meses
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO COM DCMAIS
Operação também foi deflagrada em outras quatro cidades, além de PG. Foto: Reprodução/DCMAIS

DA REDAÇÃO/DCMAIS - FOLHA EXTRA

PONTA GROSSA - Uma operação policial interestadual colocou Ponta Grossa, nos Campos Gerais, no centro de uma investigação que apura um esquema de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo o uso indevido de dados empresariais da rede Havan. Nesta quinta-feira (26), a Delegacia de Defraudações da Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou a “Operação Dublê”, com apoio das Polícias Civis do Paraná, de São Paulo e de Minas Gerais.

Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em cinco cidades brasileiras: Ponta Grossa, São Paulo, Valinhos e Caraguatatuba (SP), além de Viçosa (MG). A ação tem como objetivo reunir provas que ajudem a esclarecer o funcionamento do grupo investigado e identificar outros possíveis envolvidos.

Segundo a Polícia Civil, as investigações tiveram início após a descoberta de abertura fraudulenta de uma conta bancária em nome da empresa catarinense HAVAN S.A., em uma plataforma de pagamentos. A conta teria sido criada com o uso indevido de dados empresariais, sem autorização dos representantes legais da companhia.

Movimentação suspeita

De acordo com os investigadores, no dia 14 de agosto de 2025, a conta fraudulenta recebeu cerca de R$ 576 mil em apenas 24 horas. A suspeita é de que o valor seja proveniente de golpes aplicados contra vítimas em diferentes estados do país.

Após o recebimento, o dinheiro teria sido rapidamente transferido para contas vinculadas ao grupo criminoso. Em seguida, os valores foram pulverizados por meio de diversas transações, estratégia usada para dificultar o rastreamento da origem ilícita dos recursos.

A análise financeira apontou o uso de mecanismos típicos de lavagem de dinheiro, como a fragmentação de quantias, utilização de “laranjas”, empresas de fachada e transferências sucessivas de valores idênticos — técnica conhecida como “mirroring”, utilizada para simular movimentações legítimas.

Suspeitos identificados

Até o momento, sete pessoas foram identificadas como suspeitas de participação direta na movimentação e ocultação dos recursos. Conforme a Polícia Civil, o grupo atuava de forma estruturada com o objetivo de obter vantagem ilícita e posteriormente integrar os valores ao sistema financeiro formal.

Durante o cumprimento das medidas cautelares, os agentes apreenderam dispositivos eletrônicos, documentos e outros materiais, que serão analisados para aprofundar as investigações.

A polícia informou que o inquérito segue em andamento e pode resultar na responsabilização criminal dos envolvidos por estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, entre outros crimes que ainda podem ser identificados no decorrer da apuração.