DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
JAGUARIAÍVA - Em julho de 1981, o Paraná foi palco de uma das maiores operações de busca por aeronave já realizadas no estado. Um avião ligado ao Banco Bamerindus desapareceu durante um voo entre Curitiba e Joaquim Távora, no Norte Pioneiro, mobilizando autoridades, equipes de resgate e voluntários em uma intensa operação que durou vários dias e terminou de forma trágica na região da Serra das Furnas, em Jaguariaíva, nos Campos Gerais.
A aeronave havia decolado da capital paranaense com destino a uma fazenda da família Andrade Vieira, tradicional no cenário empresarial e responsável pelo comando do Bamerindus, que na época já figurava entre os bancos privados mais influentes do país. O trajeto, relativamente curto, acabou sendo interrompido após o avião desaparecer dos radares em meio a condições climáticas adversas.
Naquele período, o inverno paranaense era marcado por forte neblina e mudanças repentinas no tempo, fatores que dificultaram tanto a navegação da aeronave quanto as buscas realizadas posteriormente.
A bordo estavam cinco pessoas da família Andrade Vieira. Entre elas estava Thomas Edison de Andrade Vieira, então presidente do Banco Bamerindus e uma das principais lideranças do sistema financeiro brasileiro naquele momento. Também estavam no avião seu irmão, Cláudio Enoch de Andrade Vieira, e três sobrinhos.
Quando o avião deixou de fazer contato e não chegou ao destino previsto, a preocupação se transformou rapidamente em mobilização. Autoridades estaduais, forças de segurança e equipes de resgate iniciaram uma operação de busca que, pela dimensão e complexidade, se tornaria uma das maiores já registradas no Paraná até então.
Helicópteros, aviões de pequeno porte, equipes terrestres e voluntários foram mobilizados para vasculhar a região entre Curitiba e o Norte Pioneiro. A área de busca incluía trechos extensos de mata fechada, serras e regiões de difícil acesso, o que aumentava a dificuldade das operações.
Durante cinco dias, a procura pela aeronave manteve o estado em alerta. As buscas envolveram policiais, militares, bombeiros, pilotos civis e moradores das regiões próximas. A cada nova informação ou possível pista, as equipes redirecionavam os esforços para tentar localizar o avião desaparecido.
O caso ganhou grande repercussão na imprensa estadual e nacional. A importância da família Andrade Vieira no cenário econômico brasileiro e o tamanho do Bamerindus fizeram com que o desaparecimento da aeronave se tornasse um dos assuntos mais comentados do país naquele momento.
Ao longo dos dias de buscas, surgiram relatos e pistas que chegaram a alimentar esperanças de que os ocupantes pudessem ser encontrados com vida. No entanto, as dificuldades impostas pelo terreno e pelas condições climáticas continuavam a desafiar as equipes envolvidas na operação.
Somente após dias de procura intensa os destroços da aeronave foram finalmente localizados na Serra das Furnas, região montanhosa localizada no município de Jaguariaíva, nos Campos Gerais do Paraná. A área é conhecida pelo relevo acidentado e pela vegetação densa, fatores que explicam a dificuldade em localizar o avião.
Segundo relatos, os destroços da aeronave só teriam sido localizados após a família recorrer a psicomédicos. De acordo com esses relatos, eles teriam indicado que o avião estaria em uma área situada entre duas montanhas, próxima a um rio. Posteriormente, quando as equipes de resgate encontraram os destroços na região da Serra das Furnas e o curioso: o local apresentava características semelhantes às descritas.
Com a localização dos destroços veio também a confirmação do desfecho trágico: nenhum dos ocupantes havia sobrevivido.
A tragédia abalou profundamente o Paraná e teve forte impacto no meio empresarial e financeiro do país. A morte de Thomas Edison de Andrade Vieira representou uma perda significativa para o Bamerindus, que naquele período vivia uma fase de expansão e consolidação como uma das maiores instituições financeiras da América Latina.
Fundado décadas antes no Norte Pioneiro do Paraná, na cidade de Tomazina, o Bamerindus havia crescido de forma expressiva ao longo das décadas, ampliando sua presença no sistema financeiro nacional e tornando-se um dos bancos mais conhecidos do país.
O acidente aéreo de 1981 marcou não apenas a história da instituição, mas também a memória coletiva do estado. A grande mobilização das buscas e a repercussão do caso fizeram com que o episódio fosse lembrado como uma das maiores operações de resgate já realizadas no Paraná.