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Mãe de Wenceslau Braz busca filho levado há 46 anos: “Não quero morrer sem dizer que não tive culpa”
Em uma adoção sem seu consentimento, Maria Aparecida da Silva viu seu filho ser levado ainda bebê e carrega até hoje a dor de não poder vê-lo crescer
18/10/2025 10h12 Atualizada há 8 meses
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
Maria Aparecida da Silva, com a foto dos filhos recém-nascido. Foto: Divulgação

DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA

WENCESLAU BRAZ - 46 anos, Maria Aparecida da Silva guarda as únicas lembranças do filho que lhe foi tirado ainda bebê: o som do primeiro choro, uma foto já desbotada e uma pequena roupinha de recém-nascido. Hoje, aos 80 anos, morando em Wenceslau Braz, no Norte Pioneiro do Paraná, ela ainda vive com a mesma esperança de sempre - a de reencontrar o filho arrancado de seus braços quando tinha apenas três meses de vida.

A história começou em 1979. Na época, Maria era casada com Pedro Benedito da Silva. O casal enfrentava dificuldades financeiras e já cuidava de dois filhos pequenos quando descobriu que esperava gêmeos. O nascimento de Cristóvão e Cristiano trouxe alegria, mas também medo. E esse medo levou Pedro a uma decisão que mudaria a vida de todos. 

Irmão gêmeo de Cristiano, o Cristóvão. Foto: Divulgação

Sem o consentimento - e sequer o conhecimento - de Maria, ele entregou um dos bebês, Cristiano, a uma mulher conhecida na cidade como Dita Barba, que intermediava adoções ilegais. 

“Ela viu, de longe, na porteira, quando ele entregou o Cristiano para a Dita Barba. Foi a última vez que teve contato com o filho”, conta Ana Cláudia Craviski, sobrinha-neta de Maria. 

Naquela época, Maria era dona de casa, cuidava dos filhos e convivia com um marido alcoólatra. Sem recursos e sem apoio, ficou devastada ao descobrir que o filho havia sido levado. 

“Eu só pensava: ‘quero meu filho de volta’. Fiquei doente, sem forças nem para comer”, relembra Maria, com a voz embargada. 

Os anos se passaram. Maria se separou de Pedro - que faleceu há cerca de seis anos -, mas a saudade e a culpa nunca foram embora. 

“Eu diria para ele: ‘Cristiano, não fui eu quem te entregou. Foi teu pai. Sempre senti tua falta e guardo tua foto do batizado com carinho. Todos os dias peço a São José para te ver de novo’”, desabafa. 

Hoje, aos 80 anos, o tempo pode ter levado muitas coisas, mas não o amor de mãe. 

“Toda vez que a gente visita ela, o assunto é o mesmo. Ela fala do Cristiano, chora e diz que não quer morrer antes de dizer pra ele que não teve culpa. Que nunca quis deixá-lo”, conta Ana. 

Há cerca de três anos, a família decidiu reabrir as feridas e iniciar uma nova busca. Desde então, várias pessoas surgiram acreditando ser o filho perdido - mas nenhuma delas era Cristiano. 

A pista mais próxima veio da filha de Dita Barba, que confirmou que a mãe realmente intermediava adoções ilegais na época. “Mas ela era muito nova e não tem informações sobre o Cristiano”, explica Ana. 

Agora, a família tenta mais uma vez. Cristiano teria 46 anos, nascido em 23 de março de 1979, e pode ter crescido acreditando em uma história completamente diferente da real. A busca tem sido feita por meio das redes sociais, com a esperança de que alguém reconheça a história - e que ela finalmente chegue até ele. 

“A gente acredita que Deus vai tocar o coração dele, onde quer que esteja”, diz Ana, emocionada. 

Para Maria, o reencontro seria mais do que um alívio - seria a chance de curar uma dor que atravessa quase meio século. 

“Eu só quero olhar para ele e dizer: ‘meu filho, nunca deixei de te amar’.”