por Flávio Mello
Secretário Municipal de Cultura
Setembro de 2025 ficará para sempre gravado na memória: mês em que Siqueira Campos celebrou seus 105 anos de emancipação, mês em que a cultura encontrou novos palcos, cheiros de poeira e aplausos.
Sempre sonhei em trazer de volta o concurso Miss Siqueira Campos, mas a cada ano surgiam intempéries, e o projeto foi perdendo força até que eu, confesso, já não tinha mais gosto em executá-lo. A vida, porém, tem um jeito curioso de reposicionar nossos sonhos: com a retomada do rodeio em nosso município, uma esperança reacendeu. Não seria a Miss… mas a Rainha do Rodeio.
Curiosamente, anos atrás eu havia sido convidado para julgar um concurso assim. Sem imaginar no que estava me metendo, aceitei. Quase apanhei da mãe de uma candidata (história que guardo para outra crônica!), mas aquela experiência foi incrível. Eu nunca nego um chamado — penso que, se alguém vê em mim capacidade, eu enfrento, sem medo, mas sempre com carinho.
Estudamos o modelo, adaptamos à nossa realidade. Fui até jurado em outro município, para sentir o pulso e confirmar se minha intuição estava certa. E estava. Assim nasceu, enfim, a Primeira Escolha da Rainha da 1ª Expo Agro e Rodeio de Siqueira Campos, dentro da minha gestão cultural e em sintonia com a atual.
Mas o que mais me comoveu foi algo além do concurso: a oportunidade, dada pelos organizadores do rodeio, de levar um show da Orquestra de Viola Siqueirense para a arena. Não seria apenas uma abertura: seria A Abertura. Recebemos quarenta minutos antes de um show nacional — que, admito, não sabia quem eram, mas logo simpatizei com alguns integrantes da equipe técnica. Eles assistiram, elogiaram nossos músicos e nos trataram com uma generosidade rara.
Ver meus amigos, meus artistas, brilhando no palco, mesmo sob luz mínima, foi um presente.
Ver meus amigos, meus artistas, brilhando no palco, mesmo sob luz mínima, foi um presente. Tocamos um repertório que honra as raízes do sertanejo e do nosso cancioneiro popular. Houve até gaúcha na roda e casais dançando na plateia. Parecia ecoar, em cada acorde:
“Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.”
Outra cena que guardo com carinho foi a homenagem às quatro vencedoras da Escolha da Rainha. Quando fui chamado à arena, diante de uma multidão — talvez mais de dez mil pessoas —, não contive as lágrimas. Declamei ali, entregue ao que mais amo: realizar sonhos.
Rainha, Princesas, Miss Simpatia… a Orquestra de Viola… todos juntos, compondo um retrato vivo do que temos de mais precioso: o próprio povo. Essa foi minha contribuição ao rodeio, à festa, ao aniversário da cidade.
Como diz Almir Sater:
“Ando devagar porque já tive pressa, e levo esse sorriso porque já chorei demais.”
Que possamos sempre valorizar nossos artistas, nossa história, as vidas que dividem conosco a fila do pão, o banco do ônibus, o hospital, os dias bons e difíceis. Valorize a cultura de sua cidade — e aqueles que lutam para fazê-la florescer.
Porque, no fim, o melhor presente para Siqueira Campos, aos 105 anos, é o que temos de mais bonito em nossa gente: nós mesmos.