DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
ARAPOTI - O antigo aeroporto Avelino Vieira, localizado a cerca de 7 km do centro de Arapoti, nos Campos Gerais do Paraná, teve sua atividade aérea encerrada há pelo menos 25 anos, mas sua pista de concreto permanece preservada e tem se transformado em ponto de encontro para manobras arriscadas, principalmente entre motociclistas adolescentes que usam o local para a chamada “racha”.
Neste domingo (24), por volta das 16h30, um jovem de 24 anos, morador de Jaguariaíva, cidade vizinha a Arapoti, sofreu grave acidente ao perder o controle da moto na antiga pista. Ele foi socorrido pela equipe do SAMU, levado ao Hospital 18 de Dezembro e, posteriormente, transferido para o Hospital Regional de Ponta Grossa, em razão da gravidade dos ferimentos, incluindo suspeita de traumatismo craniano.
O incidente reacendeu uma série de inquietações após trágicos episódios anteriores. Em 15 de dezembro do ano passado, uma colisão violenta entre duas motos, uma Kawasaki 1.100 cc e uma CG Fan, resultou na morte de três pessoas: um homem de 31 anos e dois adolescentes de 15 anos, todos no local do acidente. Poucos dias antes, outro incidente dentro da área envolveu um automóvel que capotou e pegou fogo, deixando duas pessoas feridas.
Além desses episódios recentes, relatos apontam que a antiga pista já foi palco de outras ocorrências, como um teste de veículo que culminou em explosão de um Audi A3. Tais incidentes envolvem o uso informal do espaço para atividades não regulamentadas, como eventos improvisados de velocidade ou manobras esportivas, mesmo em áreas que oficialmente não deveriam estar acessíveis ao público.
Arapoti teve o aeroporto como marco de modernidade no passado, sendo utilizado principalmente por executivos da extinta Impacel, fábrica de celulose que ainda opera próximo ao aeroporto, mas com outra denominação. Hoje, décadas depois, o local evoca preocupação e debate sobre sua destinação já que não há mais operações aéreas.
Procurada pela Folha, a prefeitura, por meio do assessor Luiz Carlos Cordeiro, esclareceu que definitivamente a área não está aberta ao público. No entanto, admitiu que pessoas acabam acessando o local mesmo diante das tentativas de bloqueio ou restrição. O assessor afirmou que o assunto será avaliado junto ao prefeito e que a população será informada sobre qualquer nova providência adotada pela gestão municipal.
Em nota oficial, a prefeitura informou que o espaço está sob concessão de uma empresa que não vem cumprindo sua responsabilidade de garantir a segurança no local. A atual gestão afirmou ainda que já atua para rescindir a concessão e retomar o controle da área, adotando medidas para assegurar seu uso adequado.
“Atualmente aquela área está sob concessão de uma empresa, porém eles não estão cumprindo com as atribuições de trazer segurança para o local. Por isso, a gestão já está em contato para reincidir a concessão e assim que a área retornar aos domínios do município tomaremos medidas para promover o uso ordeiro do local”, diz a nota enviada à Folha.