JAGUARIAÍVA - O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, anunciou nesta sexta-feira (25) um pacote de medidas emergenciais para conter os impactos da retomada de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. A decisão, de autoria do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, impõe uma tarifa de 50% sobre diversas mercadorias exportadas pelo Brasil, com vigência a partir de 1º de agosto. O reflexo imediato já se faz sentir em empresas do setor florestal paranaense, com paralisações, demissões e férias coletivas.
Entre os casos mais graves está o da BrasPine, gigante do setor madeireiro, que opera unidades em Jaguariaíva e Telêmaco Borba. A companhia anunciou férias coletivas para mais da metade dos seus 2500 colaboradores, enquanto outras fábricas na região dos Campos Gerais já iniciaram o desligamento de funcionários. Em Ventania e Telêmaco Borba, outra empresa do setor prevê a demissão de cerca de 100 trabalhadores nas próximas semanas.
A reação do governo estadual veio após reuniões com lideranças empresariais e entidades do setor produtivo, como forma de mitigar os efeitos econômicos da medida norte-americana. O pacote inclui:
Segundo o secretário estadual da Fazenda, Norberto Ortigara, o foco é preservar empregos e garantir a sustentabilidade das empresas paranaenses diante da nova barreira comercial. O governo também estuda um reforço financeiro ao Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE), para permitir a ampliação do volume de crédito com taxas de juros mais baixas.
O impacto direto atinge cadeias produtivas que são pilares da economia paranaense, como os setores de madeira, móveis, carne, papel e celulose. Juntos, esses segmentos empregam mais de 380 mil pessoas no estado. Apenas o setor florestal respondeu por US$ 627 milhões dos US$ 1,58 bilhão exportados pelo Paraná aos Estados Unidos em 2024, de acordo com a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre).
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) classificou as medidas como “paliativas, porém urgentes”. Para o diretor da entidade, Paulo Pupo, a situação exige agilidade extrema por parte do poder público para evitar uma crise em larga escala no setor exportador.
Já a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) alertou para o agravamento da situação: mais de 2.500 contêineres já estão parados entre portos e centros de embarque, com contratos de exportação sendo cancelados em série.
A escalada das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos recoloca o Paraná no centro de um embate internacional com graves consequências locais. O governo estadual promete seguir dialogando com o setor produtivo para ampliar o pacote e buscar alternativas junto ao governo federal.