DA REDAÇÃO - FOLHA EXTRA
CAMBARÁ - Na última segunda-feira (14), uma tragédia comoveu o Norte Pioneiro e todo o Paraná. O pequeno Bernardo Gomes de Oliveira, de apenas três anos de idade, faleceu após ter sido picado por um escorpião-amarelo na cidade de Cambará, no Norte Pioneiro. Dias depois do falecimento, a mãe de Bernardo, Bianca Gomes, e o pai, Márcio Oliveira, falaram, no Meio Dia Paraná, sobre os últimos momentos ao lado do filho.
Em um relato que comoveu a comunidade e os internautas, o pai de Bernardo contou como tudo começou. Segundo ele, a situação começou na manhã do último domingo (13), quando o pequeno Bernardo buscou seu tênis que estava secando no quintal e o escorpião estava dentro do calçado. Márcio detalhou que o menino colocou um dos calçados, e que o escorpião estava no outro.
"Passamos três anos com nosso filho, mas tudo que pudemos fazer por ele nós fizemos, o cuidado que tivemos com ele, brincar com ele”, disse a mãe, em lágrimas
“Ele era uma criança muito esperta. Ele foi procurar o sapato lá fora, e pegou. Ele vestiu um e veio mostrar para mim, e pegou e vestiu o outro. Ele saiu gritando, e eu e minha esposa pegamos o carro e levamos ele para o hospital”, disse o pai.
Bianca Gomes, a mãe, contou como foi o processo de sair de casa e levar o menino às pressas para o pronto-socorro. “Foi questão de 10 minutos do momento da picada até chegarmos no pronto-socorro. Eu saí correndo do carro para levar ele logo para o atendimento”, disse a mãe.
“Ele ainda me disse ‘pai que não quero morrer não pai’”
Ainda nervosa com a situação, Bianca contou que no pronto-socorro aplicaram um soro para aliviar a dor de Bernardo, até ele ser transferido para Jacarezinho, pois em Cambará não há o antídoto contra picada de escorpião. Na espera pela transferência para a Santa Casa, Bernardo começou a vomitar e apresentar piora no estado de saúde.
“Nós estávamos esperando uma ambulância do município para levar a gente até Jacarezinho, mas nesse tempo ele começou a piorar muito. Daí falaram que a gente não poderia mais ir de ambulância, e chamaram o SAMU para buscar a gente”, contou a mãe.
Conforme disse a mãe, eles demoraram para sair de Cambará, mas chegaram em Jacarezinho. “O meu menino precisava de seis ampolas, pelo que eu escutei lá. E lá só tinha cinco. Eles deram o que tinha lá e um helicóptero veio buscar ele para levar à Londrina, mas o helicóptero também demorou. Acredito que tenha acontecido alguma coisa”, disse Bianca.
O pai, frustrado com o atendimento, destacou que, ao chegarem em Jacarezinho, os médicos fizeram pouco caso da situação. “Quando chegamos lá, os médicos começaram a conversar entre eles, se abraçar e falando que faziam tempo que não se viam. Fizeram descaso”, disse Márcio.
Ainda no vídeo, a mãe lembra como o filho era um menino saudável. “Ele era um menino saudável, caia e dava risada. Passamos três anos com nosso filho, mas tudo que pudemos fazer por ele nós fizemos, o cuidado que tivemos com ele, brincar com ele”, disse a mãe em lágrimas.
Chorando, o pai ainda contou que no período de ser atendido, Bernardo disse que não queria morrer. “Ele ainda me disse ‘pai que não quero morrer não pai’”, enfatizou. “Tivemos que enterrar nosso próprio filho”, disse em lágrimas.