Agricultura PREJUÍZOS DA GEADA
Frio e geadas criam cenários de beleza e prejuízos na região
Entre paisagens belas para fotografar e momentos de distração, as temperaturas baixas também deixaram um rastro de prejuízos e perdas no Norte Pioneiro e nos Campos Gerais
26/06/2025 16h45 Atualizada há 11 meses
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO
Maior parte da plantação de feijão da Família Sabater foi queimada pela geada em Wenceslau Braz. Foto: Davi Martins/Folha Extra

DA REDAÇÃO – FOLHA EXTRA

A madrugada da última quarta-feira (25) registrou as temperaturas mais baixas do ano em todo o Paraná. Diversas regiões amanheceram com termômetros marcando abaixo de zero, cenário que encantou fotógrafos e admiradores da natureza com paisagens repletas de gelo por conta da geada. No entanto, o frio intenso também causou prejuízos significativos, especialmente no Norte Pioneiro e nos Campos Gerais, afetando duramente os produtores rurais, que enfrentaram perdas irreparáveis em suas lavouras.

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Enquanto muitos moradores divulgaram fotos e vídeos de lugares completamente tomados pela geada, admirando as paisagens deslumbrantes que o fenômeno, típico na região Sul do Brasi, proporcionou, os produtores rurais e proprietários de fazendas lamentam as perdas em suas lavouras. Desde hortaliças até plantações de grãos, muitos produtores tiveram grandes prejuízos com a geada, que é algo já esperado por eles, mas que, mesmo assim, trouxe resultados preocupantes.

Na cidade de Wenceslau Braz, na região do Norte Pioneiro, a reportagem da Folha conversou com Jorginho Sabater, um produtor conhecido na cidade, e que também ocupa o cargo de Vereador no município. Em entrevista com a reportagem, Jorginho disse que a geada é um fenômeno que os produtores já estão acostumados, pois não há como impedir que aconteça, mas que continua trazendo prejuízos significativos.

“Não tem o que fazer. A geada vem, e nós já nos acostumamos com isso, mas infelizmente traz um prejuízo grande para nós”, contou. Jorginho acompanhou a reportagem da Folha em uma visita a uma das plantações de feijão da família Sabater nesta quinta-feira (26). Na lavoura, os pés de feijão estão praticamente todos queimados.

“Olhando assim, eu posso dizer que uns 80% ou até 90% foi perdido dessa lavoura, e o que não for perdido vai virar apenas ração”, comentou.

Ainda na família Sabater, a reportagem conversou exclusivamente com o presidente da Associação dos Agricultores Familiares do Norte Pioneiro (Asagrifa), Elton Inocêncio Sabater, que comentou sobre os estragos deixados pela geada em toda a região do Norte Pioneiro. “Foi muito prejuízo aqui na região”, enfatizou.

Conforme explica Elton, algumas das principais lavouras e hortaliças produzidas na região foram completamente destruídas pela geada. “Banana, pepino, abobrinha, tomate e algumas outras foram 100% perdidas aqui na região. O feijão também foi muito afetado aqui, então os produtores terão um prejuízo significativo neste ano, além do milho e do trigo também, que podem até parecer que não foram atingidos, mas o resultado aparece mais na hora da colheita”, disse Elton.

Produtores familiares são responsáveis por abastecer as dispensas escolares. Foto: Davi Martins/Folha Extra

 

Além do prejuízo para os próprios produtores, as escolas do município, e da região, também podem ser afetadas significativamente. Os produtores familiares são responsáveis por abastecer as dispensas escolares, e com o estrago deixado pela geada, alguns dos produtos ofertados por eles não serão entregues.

Na região, outros produtores rurais também divulgaram imagens dos efeitos da geada. Em Siqueira Campos, também no Norte Pioneiro, o radialista Claret Coutinho divulgou algumas imagens enviadas pela produtora Angélica Passos, no Bairro Gramado. Conforme explica a publicação, Angélica afirma que perdeu toda a sua produção de produtos orgânicos. “A gente tinha 300 pés de alface e 300 maços de couve para serem entregues hoje e tivemos que cancelar porque perdemos tudo," afirmou. Segundo ela, não foi possível regar as plantas antes da geada porque a água acabou congelando nos canos. Além disso, as entregas estão suspensas por pelo menos 20 dias.

As lavouras de café nas regiões da Palmeirinha dos Lázaros e São Lucas foram duramente afetadas. Pinhalão, considerada a maior produtora de café da região, também está entre as cidades que mais sofreram com os efeitos do frio intenso.