Radar NO PARANÁ
Paranaense fica 31 dias na cadeia por engano
Darci Rodrigues de Lima, de 53 anos de idade, foi confundido com um outro indivíduo que está sendo procurado por tráfico e homicídio no Mato Grosso
02/04/2025 18h08
Por: DAVI MARTINS Fonte: DA REDAÇÃO COM DCMAIS
Imagem Ilustrativa. Foto: iStockphoto/Getty Images

Um morador de Prudentópolis, na região Centro-sul do Paraná, passou 31 dias atrás das grades por equívoco da Justiça. Darci Rodrigues de Lima, 53 anos, trabalha como autônomo e foi preso na rodoviária da cidade, no dia 26 de fevereiro. Conforme análise posterior, ele estava de fato preso por engano, o que só foi descoberto na semana passada, quando um advogado teve conhecimento do caso numa visita ao presídio.

“Fazemos visitas de rotina para conversar com nossos clientes, que nos relataram a situação estranha que envolvia o sr. Darci, o qual afirmava sequer saber o motivo pelo qual estava preso”, informou o advogado Leonardo Alessi.

“Nossa equipe fez uma checagem minuciosa dos autos da ação e da execução penal e constatou que houve um equívoco”, revelou o advogado.

Segundo ele, Darci, de Prudentópolis, foi confundido com um homônimo, condenado por tráfico de drogas e homicídio no Mato Grosso. “O nome é igual, mas os outros dados são completamente diferentes”, afirmou Alessi.

Alessi conversou com o trabalhador, que lhe contou que nunca respondera a uma ação penal em Mato Grosso, estado também no qual nunca esteve.

O advogado entrou com um pedido de habeas corpus solicitando a imediata soltura de Darci. O Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT) percebeu o “gravíssimo erro” e emitiu o alvará de soltura. O trabalhador deixou a prisão na sexta-feira (28).

"O corregedor-geral da Justiça do TJMT, desembargador José Luiz Leite Lindote, assim que soube do caso por meio de uma solicitação da imprensa, determinou a abertura de um procedimento interno para apurar se houve erro de algum servidor do Poder Judiciário mato-grossense. Caso comprovado, as devidas responsabilizações serão aplicadas”, disse o Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT).

Enquanto esteve preso, Darci escreveu dois bilhetes à família contando a situação. “Eu não devo nada, você sabe disso, eu não quero ficar aqui”, relatou o trabalhador num pedaço de papel direcionado à filha.

Alessi disse que irá entrar com processo contra o Estado do Mato Grosso pedindo a reparação dos danos sofridos pelo trabalhador. “Desde o momento da prisão até o reconhecimento do equívoco, se passaram mais de 30 dias. Foi uma prisão ilegal, uma privação de liberdade”, garantiu.

Em resposta à questionamentos sobre o caso, o Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT) afirmou que “o corregedor-geral da Justiça do TJMT, desembargador José Luiz Leite Lindote, assim que soube do caso por meio de uma solicitação da imprensa, determinou a abertura de um procedimento interno para apurar se houve erro de algum servidor do Poder Judiciário mato-grossense. Caso comprovado, as devidas responsabilizações serão aplicadas”.