Uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Paraná colocou em pauta os graves problemas decorrentes das frequentes quedas no fornecimento de energia no estado e seus impactos para a sociedade paranaense. Promovida pelos deputados Luciana Rafagnin (PT), Arilson Chiorato (PT) e Anibelli Neto (MDB), a iniciativa reuniu especialistas e representantes de entidades para discutir e formalizar encaminhamentos a fim de mitigar o problema.
Durante o encontro, que contou com a ausência de representantes da Copel, empresa responsável pelo fornecimento de energia, os parlamentares expressaram sua indignação com a situação. Luciana Rafagnin lamentou a falta de resposta da empresa aos problemas enfrentados pela população e ressaltou a necessidade de uma atuação mais incisiva dos órgãos de controle, como a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e os Ministérios Públicos Federal e Estadual. Os deputados também defenderam a criação de medidas para garantir o ressarcimento dos prejuízos causados pelas interrupções no fornecimento de energia.
Dados apresentados durante o evento evidenciaram os sérios impactos econômicos e sociais das quedas de energia. Agricultores, indústrias e residências têm enfrentado perdas significativas, afetando desde a produção agropecuária até o funcionamento de estabelecimentos comerciais. O deputado Arilson Chiorato destacou que as quedas de energia têm sido registradas de forma generalizada em todo o estado, afetando especialmente o setor agrícola.
O problema, no entanto, não se restringe ao Paraná. O ex-deputado estadual Tadeu Veneri alertou para a situação semelhante enfrentada em outros estados do país, atribuindo-a à busca pelo lucro por parte das empresas privadas responsáveis pelo fornecimento de energia. O coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias, Olympio Sotto Maior Neto, ressaltou a intervenção do Ministério Público como forma de garantir a continuidade e qualidade dos serviços públicos essenciais.
Representantes de entidades como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado do Paraná (Fetraf-PR), o Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge) e a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) também expressaram preocupação com a deterioração da qualidade do fornecimento de energia após a privatização da Copel. Relatos apontaram para um aumento significativo no tempo de reparo e na frequência das interrupções, especialmente nas áreas rurais.
A falta de diálogo e a ausência de soluções por parte da Copel foram duramente criticadas durante a audiência. O coordenador geral da Fetraf-PR, Elizandro Krajczyk, denunciou o descaso da empresa em priorizar o lucro em detrimento da qualidade do serviço prestado. Os participantes do encontro ressaltaram a urgência de medidas para resolver o problema e garantir um fornecimento de energia elétrica eficiente e contínuo para todos os paranaenses.
Diante do cenário apresentado, fica evidente a necessidade de uma atuação conjunta dos poderes públicos, órgãos de controle e sociedade civil para enfrentar os desafios relacionados ao fornecimento de energia no estado. A audiência pública serviu como espaço de debate e mobilização, porém, a busca por soluções efetivas demanda um compromisso contínuo e coordenado de todas as partes envolvidas.