A qualidade do café do Paraná cresce pela mão das mulheres do Norte Pioneiro, escrevendo uma nova história nas lavouras do Estado. É o que revela a trajetória de ganhadoras da 20ª edição do concurso Café Qualidade Paraná, organizado pelo Governo do Paraná, que incentiva a produção de cafés especiais.
Sirlene Soares dos Santos Souza, de Pinhalão, no Norte Pioneiro, ficou em primeiro lugar na categoria natural. Eloir Inocência Nogueira de Souza, de Tomazina, na mesma região, venceu na categoria cereja descascado. Já Maristela Fátima Silva Souza, também de Tomazina, conquistou a segunda colocação nesta categoria.
O Norte Pioneiro é referência para os cafés especiais. Dos dez primeiros colocados do concurso deste ano, oito são da região cafeeira. “Foi muita emoção. Fiquei sem acreditar até o dia seguinte”, diz Sirlene. Para a produtora, o ano foi mais que especial, já que foi sua primeira vez. Até o ano passado, ela dedicava quase todo o tempo trabalhando fora da propriedade, como costureira.
Desde 2012, a região detém a certificação de Indicação Geográfica de Procedência (IGP), emitida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Além de participar com cerca de 65% na produção do Estado e registrar a maior proporção de colheita.
O Café especial, difere do tradicional, embora sejam produzidos a partir da mesma planta. Há por trás da produção um manuseio cuidadoso para obter a bebida final com mais atributos, como, por exemplo, notas sensoriais.
A escolha dos grãos e o perfil de torra desenvolvido especificamente para o lote visam obter o melhor daquele café em relação ao clima e outras particularidades da região produtora, que são avaliados e classificados de acordo com critérios internacionais. Ele também não possui outros grãos externos, como milho, cascas e sementes, que podem encontradas no pó de café comum.
O Paraná era o maior produtor do Brasil até a grave geada de 1975. Ao longo dos anos seguintes, a cafeicultura foi renovada, passando a ocupar menor área de plantio, mas com índices de produtividade mais expressivos. Hoje, a qualidade da bebida é a protagonista da cafeicultura do Estado, e as mulheres produtoras deram reforço a essa posição.
O café das mulheres é fruto de um trabalho coletivo. As três vêm de famílias que produziam o café tratado como commodity, tendo a quantidade como objetivo final. O ponto de virada veio com o projeto Mulheres do Café, iniciativa do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) , do Governo do Estado, que deu visibilidade a elas para que pudessem ser reconhecidas.
O projeto começou em 2013 e, atualmente, abrange mais de 250 mulheres, distribuídas por 12 grupos de 11 municípios do Norte Pioneiro: Curiúva, Figueira, Ibaiti, Japira, Jaboti, Pinhalão, Tomazina, Siqueira Campos, Salto do Itararé, Joaquim Távora e Carlópolis unidas na Amucafé, também vinculada à Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA), instituição de valorização ao trabalho feminino nessa cadeia.